Um levantamento inédito do Instituto de Pesquisa e Reputação de Imagem (IPRI), revela um crescimento significativo nas candidaturas a vereador e prefeito com identidade religiosa. Entre 2000 e 2024, o número dessas candidaturas aumentou em 225%, passando de 2.215 para 7.206. Em contraste, o total de candidaturas cresceu apenas 14% no mesmo período.
A pesquisa mostrou que, enquanto em 2000 as candidaturas religiosas representavam 0,55% do total, em 2024 esse número subiu para 1,6%. A maioria das candidaturas religiosas identificadas este ano é ligada a religião evangélica, com termos como “pastor”, “irmão”, “pastora” e “missionária” predominando, juntos, termos desta fé totalizam 91% das candidaturas ligadas a alguma religião.
“Desde a redemocratização e a Constituição Federal de 1988, com um país que garantia maior liberdade religiosa e o pluralismo religioso, novos movimentos religiosos passam a reivindicar mais espaço na relação com o Estado e com a política institucional que até então era monopolizado pela Igreja Católica. Era algo que era percebido com naturalidade, ninguém estranhava. A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) inaugura ali, no início dos anos 1990, um novo modo de fazer política, convocando evangélicos
não apenas a votar e a discutir política como também estabelecendo candidaturas oficiais apoiadas pela Igreja”, explica a antropóloga Lívia Reis.
Além disso, uma pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (ISER) sobre as eleições municipais de 2020 analisou 8 capitais do Brasil, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belém e Goiânia. O resultado revelou que candidatos com identidade religiosa obtiveram 51,35% das cadeiras nas câmaras municipais.
