Parlamentares bolsonaristas ocuparam as mesas diretoras da Câmara e do Senado, nesta terça-feira (5/7), em protesto contra a possibilidade de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Deputados e senadores da direita anunciaram que permanecerão nos plenários até que suas reivindicações sejam atendidas.
A ação gerou forte reação de parlamentares da esquerda, que convocaram uma coletiva de imprensa para se posicionar. A deputada federal Erika Hilton (PSOL) classificou o protesto como um “sequestro do parlamento brasileiro” e criticou duramente a tentativa de paralisar as atividades legislativas em defesa de interesses pessoais.
“Estamos presenciando um sequestro da Câmara dos Deputados pela extrema direita. Uma ala de parlamentares tenta colocar os interesses de uma única família — a do ex-presidente Jair Bolsonaro — acima das necessidades do povo brasileiro. Eles se recusam a avançar em pautas como a redução da carga tributária e o fim da escala 6×1, exigindo que o parlamento se curve às vontades de um homem que já atacou a democracia e tramou contra os três poderes”, afirmou Hilton.
Ela destacou ainda que o protesto é simbólico e revela uma postura antidemocrática:
“Enquanto muitos parlamentares e o governo lutam para melhorar a vida da população, esses deputados agem de forma criminosa e covarde ao impedir o funcionamento desta casa. Esta não é a casa da família Bolsonaro. É a casa da democracia, do povo brasileiro, e não se curvará a golpistas. O Brasil precisa seguir em frente — e sem anistia para quem atenta contra as instituições.”
O deputado Túlio Gadêlha também condenou o ato, associando-o aos ataques de 8 de janeiro.
“Essa atitude revela muito sobre a extrema direita. Assim como vimos na tentativa de golpe, agora tentam paralisar o parlamento por dentro. Não basta agirem nas ruas com ameaças — agora também sabotam o funcionamento das instituições por dentro. Precisamos denunciar e resistir”, disse.
A tensão política em Brasília continua em alta, com novos embates entre parlamentares e o agravamento da crise institucional.
