A vereadora e candidata à prefeitura de Araruama, Penha Bernardes, está no centro de uma intensa polêmica na cidade, envolvendo seu recente apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A aliança, intermediada pelo deputado federal Altineu Cortes, gerou desconfiança entre os bolsonaristas locais, que passaram a tachá-la como uma “falsa bolsonarista”.
Penha, que historicamente não tem histórico de militância em favor de Bolsonaro, está sendo criticada por nunca ter demonstrado apoio explícito ao ex-presidente. Durante o período crítico da pandemia, Penha fez discursos na Câmara Municipal que foram interpretados como contrários às medidas adotadas pelo governo Bolsonaro. Além disso, fotos da vereadora fazendo o gesto da letra “L” com a mão, símbolo associado ao apoio ao presidente Lula, reforçaram as acusações de incoerência.
Apoiadores de Bolsonaro em Araruama alegam que essa aliança de Penha com Bolsonaro é uma estratégia arquitetada por Altineu Cortes e Valdemar Costa Neto, líderes do Partido Liberal (PL). Há uma crescente insatisfação entre os bolsonaristas, que consideram que Bolsonaro está sendo “enganado” por não conhecer a verdadeira trajetória política de Penha.
Nos bastidores, comenta-se que Penha pode permanecer no PL, mas sem o apoio formal de Bolsonaro, situação semelhante à que ocorreu em Búzios com Rafael Aguiar. Na cidade vizinha, a família Bolsonaro optou por apoiar a reeleição do atual prefeito Alexandre Martins, deixando Aguiar em uma posição delicada dentro do partido.
A situação coloca em xeque a viabilidade da candidatura de Penha Bernardes em Araruama, uma vez que o apoio de Bolsonaro poderia ser um fator decisivo em um município onde o ex-presidente ainda possui forte influência. Resta saber se a vereadora conseguirá reverter essa percepção entre os eleitores e reconquistar a confiança dos bolsonaristas ou se o movimento será o início de um afastamento definitivo do bolsonarismo.
