Brasil – A UNEafro Brasil, uma organização de luta pelos direitos da população negra, está reivindicando ao Banco do Brasil (BB) a criação de um fundo de reparação no valor de R$ 1,4 trilhão, como compensação histórica por sua participação indireta no sistema escravocrata do Brasil do século XIX. Em audiência realizada nesta semana, a instituição voltou a pressionar o banco, com o apoio do Ministério Público Federal (MPF), que também declarou insuficiente o pedido formal de desculpas emitido pelo banco em novembro de 2023.
A cifra de R$ 1,4 trilhão foi calculada com base em 30% do lucro líquido do Banco do Brasil em 2023, que foi de R$ 35,6 bilhões. Esse valor foi então multiplicado por 136 anos, período estimado desde a abolição da escravidão em 1888 até o ano passado.
A proposta da UNEafro surgiu a partir do Seminário Internacional sobre Reparação Histórica, realizado em março deste ano no auditório da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em um evento que contou com a participação de várias entidades de defesa dos direitos raciais, como a agência Alma Preta, o Instituto de Referência Negra Peregum e a Pró-Reitoria de Ação Afirmativa da Unifesp.
Para a UNEafro e o MPF, o pedido de desculpas feito pelo banco não abrange a totalidade dos impactos históricos vividos pela população negra.
