Laudo confirma que professora morta após alta por crise de ansiedade teve tamponamento cardíaco

Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

Publicado há 11 horas ago

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O laudo do exame de necropsia de Giulia Silva de Araújo confirmou a causa da morte por tamponamento cardíaco, como já havia sido indicado no atestado de óbito. Giulia, de 26 anos e professora de história, morreu no dia 28 de agosto, poucas horas depois de buscar atendimento duas vezes no Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, em Irajá, na Zona Norte do Rio, e ser liberada com o diagnóstico de “crise de ansiedade”.

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No documento, obtido pelo advogado da família, consta como causa da morte o tamponamento cardíaco e ruptura de aneurisma de artéria aorta ascendente. Tamponamento cardíaco é a pressão exercida no coração pelo sangue ou líquido que se acumula na membrana que o envolve (pericárdio), condição que costuma causar falta de ar, dores, tonturas e até desmaios.

“O laudo confirma a nossa tese. Houve negligência pela alta médica sem investigação mais aprofundada através de exames de imagem, em especial ecocardiograma e angiotomografia”, declarou o advogado da família, Luan Fernandes. Segundo ele, a ruptura decorreu de um aneurisma na aorta ascendente — uma dilatação e fragilização da parede da principal artéria do corpo — que, no caso de Giulia, poderia ter sido identificada previamente por meio de investigação cardiovascular adequada, permitindo diagnóstico e intervenção antes da evolução para a ruptura, o tamponamento cardíaco e o óbito.

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A família segue aguardando esclarecimentos e pede justiça sobre o caso. Fabiana Bezerra, irmã de Giulia, contou que a jovem deu entrada no hospital por volta das 8h com forte dor torácica e falta de ar, mas foi liberada com o diagnóstico de crise de ansiedade. Por volta das 11h, Giulia retornou à mesma unidade, passou por novos exames e recebeu alta com a mesma justificativa. Segundo Fabiana, nessa segunda vez a jovem estava com tanta falta de ar que chegou a desmaiar na sala de espera antes de ser medicada e liberada novamente.

Ao chegar em casa, Giulia teria piorado consideravelmente e foi levada pela família a outro hospital, em Duque de Caxias. “Eu sou enfermeira, estava de plantão quando minha família me ligou dizendo que Giulia já estava quase sem pulso em casa e caída na cama. Saí correndo do trabalho, levamos ela para outro hospital. Lá, tentaram reanimá-la, intubaram minha irmã, mas ela não resistiu”, relatou Fabiana, que também acusa o hospital de negligência e afirma que nenhum representante da unidade entrou em contato para ajudar a esclarecer o caso.

Segundo a família e o advogado, nem todos os protocolos de atendimento foram cumpridos. Documentos de atendimento aos quais a imprensa teve acesso mostram que, nas duas passagens pelo Hospital Francisco da Silva Telles, os exames realizados indicaram resultados dentro da normalidade, incluindo um eletrocardiograma sem alterações.

Em nota, a direção do Hospital Municipal Francisco da Silva Telles informou que Giulia deu entrada na emergência da unidade na sexta-feira (28) às 8h32, com relato de dor no peito, e foi imediatamente atendida, recebendo os exames estabelecidos em protocolo para diagnóstico de quadros cardíacos agudos — todos dentro dos parâmetros de normalidade. Segundo a nota, a paciente retornou às 11h14, os exames foram repetidos e outros complementares foram solicitados, sem detecção de alterações, e ela recebeu alta médica após reavaliação às 13h19. O hospital lamentou o falecimento e afirmou ter prestado toda a assistência de acordo com o quadro clínico apresentado em cada avaliação.

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Já a Prefeitura de Duque de Caxias, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e da direção do Hospital Municipal Dr. Moacyr Rodrigues do Carmo, informou que Giulia deu entrada na unidade já em parada cardiorrespiratória, e que a equipe seguiu com manobras de ressuscitação, sem sucesso. O óbito foi confirmado às 17h25, o caso foi registrado na delegacia e o corpo foi encaminhado ao IML para determinar a causa da morte.

A família registrou boletim de ocorrência, e a Polícia Civil informou que o caso está sendo investigado pela 59ª Delegacia de Polícia (Duque de Caxias), com diligências em andamento para apurar as circunstâncias da morte de Giulia.

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