O governo brasileiro está considerando retomar a cobrança de impostos federais sobre a gasolina e o etanol a partir de março. A medida provisória que prorrogou a isenção de PIS e Cofins para esses dois combustíveis termina em 28 de fevereiro, e a reoneração dos impostos garantiria R$ 28,9 bilhões aos cofres da União em 2023.
A decisão, no entanto, é controversa. Enquanto a equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê a medida como essencial para ajudar a reduzir o déficit fiscal do país, a ala política teme que ela possa ter um impacto negativo na inflação e, por consequência, na popularidade do presidente.
A desoneração dos impostos sobre combustíveis foi implementada pelo governo de Jair Bolsonaro, como parte de um pacote de ações antes da corrida eleitoral. Na época, o objetivo era aliviar o preço final dos combustíveis e evitar que a alta dos preços afetasse a popularidade do então presidente.
No entanto, a retomada dos impostos é vista como uma necessidade pelo governo atual, que precisa cumprir a meta de reduzir o déficit fiscal de mais de R$ 200 bilhões previsto para este ano. Além disso, o governo tem anunciado uma série de medidas que ampliam gastos, como o aumento do salário mínimo, o reajuste dos servidores e a correção do Imposto de Renda.
A ala política teme que a retomada dos impostos sobre combustíveis possa aumentar ainda mais a inflação, que já está em alta no país. A medida poderia afetar o bolso dos consumidores, uma vez que o preço dos combustíveis é um fator que influencia o preço de diversos produtos e serviços.
No entanto, a equipe econômica argumenta que a retomada dos impostos é necessária para garantir a arrecadação do governo e ajudar a estabilizar a economia do país. O governo também conta com o apoio da Petrobras, que, segundo fontes ligadas ao Planalto, não se opôs à medida, mas levantou preocupações sobre o aumento do preço do barril de petróleo por conta da sazonalidade da demanda internacional do produto, em especial nos EUA.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, terá o desafio de equilibrar as contas públicas do país e garantir a estabilidade econômica, mesmo em meio a um cenário político conturbado e um aumento da inflação. A retomada dos impostos sobre combustíveis será uma das medidas a serem tomadas pelo governo nos próximos meses, mas ainda há incertezas sobre o impacto que ela terá na economia e na popularidade do presidente.
