O Banco Central divulgou nesta segunda-feira, 27, que o juro médio total cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito teve um aumento de 2,2 pontos percentuais de março para abril. A taxa passou de 421,3% para 423,5% ao ano.
Já no caso do parcelado, o juro apresentou uma leve queda, passando de 190,7% para 182,0% ao ano entre os dois meses comparados.
A legislação estabeleceu que os juros do rotativo e do parcelado não poderiam ultrapassar 100% do principal da dívida, caso os bancos não chegassem a um acordo sobre o assunto chancelado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Como não houve consenso, o teto para os juros e encargos da modalidade passou a valer desde 3 de janeiro de 2024.
Embora as taxas apresentadas pelo BC possam sugerir um descumprimento da lei por parte dos bancos, na realidade, trata-se apenas de um registro estatístico. Isso ocorre porque a taxa anual é calculada a partir do juro cobrado mensalmente pelas instituições financeiras, extrapolado para o ano inteiro. No entanto, muitas vezes, os consumidores permanecem no rotativo apenas por alguns dias ou semanas, o que não reflete necessariamente na taxa efetiva anual.
Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, explicou que a instituição não tem planos de interromper essa série histórica, pois ela ainda serve como referência para mostrar a velocidade de aumento ou redução dos juros. Além disso, é um dos componentes para se chegar à taxa cobrada pelo sistema como um todo.
Para atender às exigências da nova lei, o BC desenvolveu um novo indicador, que deve alcançar maturidade a partir do segundo semestre deste ano, quando houver mais dados disponíveis para análise.
