Operação Ninho Vazio: PF e polícias da Espanha e da Suíça combatem tráfico internacional de ovos de papagaio

Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

Publicado há 38 minutos ago

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A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (19), a Operação Ninho Vazio, em cooperação com autoridades da Suíça e da Espanha, para desarticular uma organização criminosa investigada pelo tráfico internacional de ovos de aves silvestres brasileiras, especialmente papagaios.

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Como parte da ação coordenada, dois investigados apontados como líderes do grupo foram presos pela Polícia Nacional da Espanha na Ilha de Gran Canaria, nas Ilhas Canárias, com base em mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça brasileira. Segundo a PF, eles viajaram juntos da Suíça para as ilhas, onde existem criadouros e parques dedicados a papagaios e outros psitacídeos.

Na Suíça, o Departamento Federal de Alfândega e Segurança de Fronteiras (FOCBS) cumpriu três mandados de busca e apreensão na cidade de Weinfelden. No Brasil, em Curitiba, os policiais federais cumpriram dois mandados de prisão temporária e três de busca e apreensão. A operação também prevê um mandado de prisão preventiva contra uma investigada suíça, apontada como transportadora dos ovos, que foi incluída na Difusão Vermelha da Interpol para ser localizada e capturada.

A investigação começou em outubro de 2025, com a apreensão de 24 ovos de aves silvestres no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Segundo a PF, eles eram levados pela mulher suíça incluída na Difusão Vermelha, que se preparava para embarcar com os ovos escondidos sob a roupa, junto ao corpo.

Entre os exemplares que sobreviveram, foram identificados o papagaio-de-cara-roxa e o papagaio-charão, espécies da fauna silvestre brasileira. O papagaio-charão, encontrado principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, está ameaçado de extinção. O papagaio-de-cara-roxa vive no litoral de São Paulo e do Paraná e é classificado como quase ameaçado. A retirada ilegal de ovos compromete a reprodução das aves e agrava os riscos à conservação.

De acordo com as investigações, integrantes do grupo faziam viagens recorrentes entre o Brasil e a Suíça ao longo de cerca de 20 anos, o que, para a PF, indica uma atividade reiterada de transporte clandestino de ovos para o exterior. Haveria divisão de tarefas entre quem obtinha os ovos, organizava as viagens, fazia o transporte e recebia o material no exterior. As condições inadequadas de transporte teriam provocado sofrimento e alta mortalidade dos embriões.

Os investigados poderão responder por tráfico de animais silvestres, maus-tratos, contrabando e organização criminosa. As apurações continuam para esclarecer a extensão das atividades e identificar outros fornecedores, intermediários e destinatários. Os nomes dos investigados não foram divulgados, e eles são considerados inocentes até condenação definitiva.

O espaço segue aberto para esclarecimentos e atualizações sobre o caso.

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