Família clama por justiça após morte de menino em Maricá: ‘Uma covardia sem precedentes’. Confira os detalhes do emocionante depoimento da família durante entrevista:

Por Cic7 Redação - Rio Janeiro

Publicado há 3 anos ago

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Maricá – “Isso é muita covardia, eu não aguento mais.” As palavras emocionadas são de José Roberto Santos de Souza, pai do menino de 11 anos que foi baleado e morto nesta quarta-feira (12) durante uma operação policial em Maricá, Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Após a tragédia, familiares e vizinhos da criança compareceram à Delegacia de Homicídios de Niterói (DHNSG) para prestar depoimento, acusando os policiais militares de terem atirado indiscriminadamente no condomínio Minha Casa Minha Vida, de onde a vítima estava saindo com a mãe para ir à escola. A Polícia Militar alega que houve confronto com criminosos na região.

O pai da criança, chorando, relatou que o menino tinha autismo e não teve reação de fugir quando ouviu os disparos. A mãe, ainda muito abalada, saiu da delegacia amparada e não concedeu entrevistas.

“Os policiais chegaram atirando, ninguém atirou contra eles, os criminosos de lá não atiraram. Meu filho não teve chance de correr. Eu estava em casa quando ouvi os disparos, nem tomei banho, nem escovei os dentes, nada disso. Fui correndo e foi então que me disseram: ‘seu filho está morto’. Isso é uma covardia, ninguém poderá trazer a vida dele de volta. Aquele lugar é um inferno, sempre acontece essa m****. Estou muito mal, não estou aguentando mais”, desabafou emocionado.

José também explicou que outra criança quase foi atingida. O tiro acertou a mochila dela. A mãe da menina, a cozinheira Betânia Marques de Almeida, também compareceu à DHNSG para prestar depoimento e mostrou a bolsa rasgada como prova do ocorrido. A garota não sofreu ferimentos e passa bem.

O tio do menino, Jorge Luis Ribeiro de Amorim, reforçou a versão de que os policiais entraram atirando no momento em que as mães estavam levando as crianças para a escola.

“Eu estava em casa quando recebi uma ligação dizendo que a polícia chegou atirando e atingiu o menino. Eles disseram que ele era um bandido, mas ele estava uniformizado, a mãe estava levando-o para a escola. O que é isso? E agora, o que será feito? O menino não vai mais voltar. Só queremos justiça. Um menino não pode perder a vida assim, deixando os irmãos sofrendo, a mãe sofrendo”, lamentou.

Jorge ainda descreveu o sobrinho como uma pessoa adorável. “Ele tinha uma dificuldade, era especial, e todo mundo gostava dele. No domingo, ele esteve na minha casa, eu dei uma pipa para ele. Sou padrinho do irmão dele, então eles sempre passavam os fins de semana lá em casa. É muito triste, lamentável, estou muito machucado. O menino era o irmão mais velho, e isso aconteceu assim que ele saiu de casa com a mãe”, explicou.

Na delegacia, um vizinho da família, Carlos Alberto Jaime, contou que o mesmo projétil que atingiu a vítima também atingiu seu carro.

“Eles chegaram atirando. Meu carro estava estacionado na garagem, e eles começaram a atirar. Eu olhei da minha janela e vi a mãe tentando proteger o menino, mas ele já havia sido baleado e correu para se proteger atrás do prédio. Nisso, um vizinho saiu gritando e os moradores saíram. O menino estava saindo, e eles estavam entrando, e a bala atingiu o peito dele, passou por ele e atingiu meu carro, que estava ligado. Agora eles dizem que houve troca de tiros, que o menino era um bandido. Isso é uma brincadeira, né?”, desabafou.

Versão da Polícia Militar

De acordo com a Polícia Militar, equipes do 12º BPM (Niterói) estavam realizando patrulhamento quando foram atacadas por criminosos armados nas proximidades do condomínio Minha Casa Minha Vida, localizado na Estrada do Bosque Fundo, em Inoã, Maricá. Após cessarem os disparos, os policiais afirmam ter encontrado a criança ferida e já sem vida.

A PM também informou que uma viatura foi atingida pelos disparos dos criminosos, que fugiram. A área foi isolada e a perícia foi acionada. A 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) também foi chamada ao local.

Protesto dos moradores

Após o ocorrido, moradores se reuniram e protestaram contra os policiais. “As crianças não podem ir para a escola estudar em paz, é lamentável”, disse uma testemunha.

Segundo o Corpo de Bombeiros, uma equipe foi acionada para o local às 7h05. No local, duas mulheres foram socorridas para o Hospital Municipal Doutor Ernesto Che Guevara. Uma delas estava ferida no rosto devido a uma pedrada, e a outra tinha estilhaços de bomba também no rosto. Ambas estão sendo atendidas na unidade.

Prefeito pede investigação rigorosa

Em um comunicado, a Prefeitura de Maricá lamentou o caso e informou que o município está de luto pela morte precoce do estudante.

O prefeito, Fabiano Horta, afirmou que exigirá máxima rigidez nas investigações por parte das autoridades policiais. “Não permitiremos que esse crime fique impune, nem que tragédias como essa, que são incomuns em nossa cidade, sejam normalizadas”, declarou.

As equipes das secretarias municipais de Direitos Humanos e Assistência Social se deslocaram para o local e estão prestando apoio e solidariedade à família da vítima.

A Secretaria Municipal de Educação informou que o menino era aluno da Escola Municipal Darcy Ribeiro e também lamentou o ocorrido. “Em nome de toda a equipe, o secretário de educação, professor Márcio Jardim, expressa suas condolências e solidariedade aos familiares e amigos”, comentou em nota.

Com informações de O dia

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