Apenas 1% dos incêndios florestais no Brasil são causados por eventos naturais, como raios, enquanto os outros 99% são resultado de ações humanas, de acordo com Renata Libonati, doutora em geociências e coordenadora do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa) da UFRJ. A pesquisadora lidera o sistema Alarmes, que monitora áreas queimadas em tempo real por meio de imagens de satélite.
Libonati destaca que a situação é crítica nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, com a Amazônia enfrentando o pior cenário já registrado. No Pantanal, 12,8% da área foi queimada até setembro, e no Cerrado, 11 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo. Os incêndios estão ligados principalmente ao uso da terra e atividades econômicas, como desmatamento e abertura de áreas para pastagem e agricultura.
“O que estamos vivenciando hoje é um resultado do que a humanidade vem fazendo ao longo de várias décadas. Realmente é preciso fazer uma mudança na forma que a gente utiliza o planeta porque o nosso estilo de vida atual é incompatível com o bem-estar da nossa sociedade no futuro”, afirmou a pesquisadora.
