A Justiça determinou o bloqueio da mansão que pertenceu ao jornalista Cid Moreira, localizada em Itaipava, na região serrana do Rio de Janeiro. Avaliado em R$ 2,9 milhões, o imóvel só poderá ser vendido com autorização judicial, em meio ao processo de inventário movido pelos filhos do comunicador, Rodrigo e Roger Moreira, contra a viúva, Fátima Sampaio Moreira.
A decisão ocorre no contexto da disputa pela herança deixada por Cid Moreira, que morreu em outubro de 2024, aos 96 anos. Segundo testamento registrado em cartório, os filhos foram excluídos da partilha dos bens, que teriam sido destinados integralmente à esposa. Diante disso, os herdeiros contestaram o documento na Justiça.
Imóvel de luxo e alto custo de manutenção
O imóvel, retirado de plataformas de venda a pedido do advogado de Fátima, Davi de Souza Saldaño, possui mil metros quadrados de área construída, com varanda, cinco quartos, piscina, espaço gourmet e anexo para hóspedes. O terreno tem seis mil metros quadrados, com mata preservada e lago, e custa cerca de R$ 10 mil por mês para ser mantido.
Caso a venda seja autorizada futuramente, o valor deverá ser depositado em juízo até que a disputa sucessória seja resolvida.
Disputa familiar antiga
O conflito entre os filhos e a viúva começou em 2021, quando Rodrigo e Roger tentaram interditar o pai, alegando que Fátima administrava o patrimônio de forma irregular. Segundo eles, 11 dos 18 imóveis de Cid teriam sido vendidos por valores abaixo do mercado.
Entre os exemplos citados está a venda de uma casa na Barra da Tijuca, que teria sido negociada por R$ 1,2 milhão, embora valesse cerca de R$ 6 milhões, segundo Roger. Ele ainda afirma que R$ 12,3 milhões em receitas de vendas de imóveis ficaram sob posse exclusiva de Fátima, e que houve envio de R$ 40 milhões ao exterior, além de alegar que o pai foi mantido em cárcere privado — acusação que foi investigada e arquivada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em 2023.
Defesa da viúva
A defesa de Fátima contesta as alegações. Em nota, o advogado Davi Saldaño afirmou que os valores atribuídos ao espólio — estimado pelos filhos em R$ 60 milhões — são infundados. Segundo ele, os imóveis citados não constam no Imposto de Renda do casal nem no testamento, que indicaria a vontade clara de Cid Moreira em deixar todo o patrimônio para a esposa.
