O dólar atingiu a maior cotação de fechamento da sua história nesta quarta-feira (27), fechando a R$ 5,9141, após uma reação negativa do mercado diante da expectativa de que o pacote fiscal do governo Lula incluirá a isenção de Imposto de Renda (IR) para pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês. A medida, que impactaria diretamente a arrecadação do governo, contraria as expectativas de uma agenda focada no corte de despesas e gerou desconforto no mercado financeiro.
Com a alta de 1,80%, o dólar à vista superou a cotação de R$ 5,9012 registrada em 13 de maio de 2020, durante o auge da pandemia de Covid-19, e atingiu a maior marca desde a implementação do real, em julho de 1994. Este movimento representou um acumulado de 21,9% de alta do dólar em relação ao real em 2024.
O impacto foi tão significativo que o dólar para o mês de dezembro, o mais líquido atualmente no mercado brasileiro, subiu 1,85%, fechando a R$ 5,9200. A moeda americana se manteve pressionada ao longo de todo o dia, à medida que investidores aguardavam detalhes sobre o pacote fiscal, especialmente após a confirmação da isenção do Imposto de Renda, que agravou a pressão sobre o câmbio.
Embora a notícia tenha sido inicialmente divulgada por fontes anônimas, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, confirmou a medida durante uma entrevista coletiva, esclarecendo que o pacote também tratará de outras questões fiscais, como a taxação de super-ricos e supersalários. As declarações foram feitas antes do pronunciamento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que, mais tarde, detalhou as medidas em um pronunciamento oficial.
A proposta de isenção de IR, que reduz a arrecadação do governo, foi vista como uma surpresa negativa pelos analistas financeiros. A expectativa inicial era de que o pacote incluísse ações para a contenção de despesas, o que geraria confiança no mercado. No entanto, a inclusão de medidas que poderiam aumentar os gastos públicos gerou preocupação.
“Esse anúncio veio na contramão do que o mercado esperava. A reação foi imediata, com o dólar disparando”, afirmou Daniel Leal, estrategista de renda fixa da BGC Liquidez. O movimento do dólar foi acentuado por um aumento nas taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) e uma queda significativa no Ibovespa.
O dólar, no entanto, se manteve em alta, enquanto outras moedas internacionais apresentaram desvalorização frente à moeda norte-americana, criando uma situação atípica no mercado cambial global. A expectativa agora é de que o governo revele mais detalhes sobre o pacote fiscal e se comprometa com ações que possam equilibrar o impacto fiscal da isenção do IR.
