Lula deverá se envolver mais pessoalmente com o Centrão, avalia analista
Segundo a Arko Advice, presidente terá de negociar diretamente com parlamentares, o que traz ganhos e riscos, num Congresso em que a direita passou a ter maioria na Câmara e no Senado.
O que se sabe até agora
5 pontos- 1Cristiano Noronha, da Arko Advice, prevê que Lula atue diretamente nas negociações com o Congresso
- 2Analista vê risco de desgaste caso o presidente sofra derrotas no Legislativo
- 3Governo quer mais fidelidade das legendas da base aliada nas votações
- 4União Brasil entregou entre 60% e 65% de apoio na Câmara durante o terceiro mandato de Lula
- 5O novo Congresso toma posse em 1º de fevereiro, com maioria da direita na Câmara e no Senado
Resumo feito pela redação

O quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve mudar a forma como o presidente se relaciona com o Congresso. A diferença mais clara em relação ao mandato anterior está na atuação pessoal de Lula nas conversas com deputados e senadores.
Para Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, essa postura pode render resultados, mas cobra um preço. Ele avalia que a exposição direta do presidente às negociações aumenta o risco de desgaste político.
"Isso pode sim ajudar o governo, mas também pode trazer um custo e um desgaste para o presidente", declarou o analista.
Segundo ele, quando Lula se coloca na linha de frente, qualquer derrota no plenário tende a ser lida como sinal de fraqueza do Planalto.
Noronha já enxerga movimentos nessa direção. Lula passou a fazer transmissões ao vivo com o objetivo de recuperar popularidade. O presidente também convidou Hugo Motta (Republicanos-PB), da Câmara, e Davi Alcolumbre (União-AP), do Senado, para acompanhá-lo à COP31.
O governo também sinaliza que pretende cobrar mais disciplina das legendas aliadas nas votações. A ideia é exigir que as bancadas sigam a orientação da base com mais consistência.
Fidelidade partidária é desafio antigo
O analista lembra que a cobrança nem sempre funciona. Para ele, partidos raramente entregam apoio integral em todas as votações, em governos de qualquer orientação.
"Ao longo de vários governos, a gente viu que os partidos não entregam 100% dos votos", afirmou Noronha.
Como exemplo, ele citou o União Brasil. Durante o terceiro mandato de Lula, a legenda ocupou três ministérios, mas deu entre 60% e 65% de apoio nas votações da Câmara dos Deputados.
A tarefa deve ficar mais difícil com a nova composição do Congresso, que toma posse em 1º de fevereiro. A direita conquistou maioria na Câmara e no Senado nas eleições de 2026, o que tende a dificultar a aprovação de projetos do Executivo.
Com informações de CNN Brasil. Texto produzido com apoio de ferramentas automatizadas.
Por Redação Cic7Mais do autor


