Mercado teme indicações ao Banco Central após ajuste fiscal limitado
Seis cadeiras do Copom devem ser preenchidas até o fim de 2027, e a preocupação é que novos nomes afrouxem o combate à inflação, mesmo sem nomes formais anunciados.
O que se sabe até agora
4 pontos- 1Duas cadeiras do Banco Central estão vagas desde o fim de 2025
- 2Quatro mandatos terminam em 2027, com dois previstos para fevereiro
- 3Mercado teme que novas indicações formem maioria favorável a cortes de juros no Copom
- 4Os indicados ainda precisam de aprovação do Senado
Resumo feito pela redação

Investidores já tratam como provável um ajuste fiscal com efeito reduzido sobre a dívida pública. Entre agentes econômicos, a expectativa ganhou o apelido de "ajuste à la dona Lindu", referência à mãe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à máxima de não gastar mais do que se arrecada.
Há dúvida até sobre o cumprimento dessa regra básica. Conter o avanço das despesas pode não bastar para equilibrar as contas e estabilizar a dívida. O ceticismo aparece no dólar pressionado e nos juros em patamar alto.
Indicações ao Banco Central
Agora, a atenção se volta para as próximas indicações ao Banco Central. Participantes do mercado temem que o governo escolha nomes mais inclinados a cortar juros, sem que a inflação esteja em trajetória de queda consistente.
O receio é que essas escolhas formem maioria no Copom (Comitê de Política Monetária), capaz de aprovar reduções da Selic e isolar o presidente da instituição, Gabriel Galípolo. Os indicados ainda dependem de aprovação do Senado.
Duas cadeiras estão vagas desde o fim de 2025: a de Política Econômica, ocupada até então por Paulo Picchetti, e a de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, que era de Gilneu Vivan. Outras quatro encerram mandatos em 2027. Ailton de Aquino Santos (Fiscalização) e Nilton David (Política Monetária) deixam o cargo em fevereiro, salvo recondução.
Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira (Administração) têm mandatos que terminam em dezembro. No total, seis vagas precisam ser preenchidas até o fim do próximo ano, e pouco se sabe sobre os candidatos. O nome do economista André Roncaglia, diretor-executivo do Brasil no FMI (Fundo Monetário Internacional) e visto como heterodoxo, circulou entre os cotados, sem indicação formal.
Pressão sobre a política monetária
Para o mercado, o Banco Central tem atuado como principal barreira à flexibilização da política econômica, ao insistir em conter a inflação mesmo sob pressão por juros menores. Uma mudança nessa postura preocupa investidores.
Sem medidas fiscais que estabilizem a dívida, o Tesouro precisa pagar juros mais altos para se financiar. A desconfiança pressiona o câmbio, encarece importados e insumos e eleva as expectativas de inflação.
Se o mercado perder a confiança de que o BC reagirá, o quadro pode se agravar. Um corte da Selic sem apoio nas projeções de inflação tende a elevar o dólar e os juros longos, o que encarece o crédito para empresas, famílias e o próprio governo.
Nesse cenário, a inflação pode acabar fazendo o ajuste que o fiscal não fez. Ela corrói o poder de compra e reduz o valor real de despesas que demoram a ser reajustadas, afetando sobretudo quem tem menos meios de proteger a renda.
Para 2027, as projeções combinam inflação alta e crescimento fraco, o que dificulta a tarefa do BC. A decisão sobre os próximos nomes deve ser acompanhada de perto, já que o Senado ainda precisará analisar as indicações.
Com informações de CNN Brasil. Texto produzido com apoio de ferramentas automatizadas.
Por Redação Cic7Mais do autor


