Governo Lula avalia adiar reforma tributária por até seis meses após pressão de empresas
Medida ainda não foi decidida e depende de acordo com o Congresso; o TCU fixou alíquota de 11,3% da CBS, que aguarda votação do Senado até 15 de dezembro.
O que se sabe até agora
5 pontos- 1A reforma tributária começa em 1º de janeiro de 2027, e o governo admite adiar por até seis meses.
- 2O adiamento depende de entendimento com o Congresso e não deve alterar o conteúdo da lei aprovada.
- 3O TCU estabeleceu alíquota de 11,3% para a CBS, acima do projetado pelo Comitê Gestor.
- 4Regras do split payment e ferramentas de apuração dos novos impostos ainda não estão totalmente definidas.
- 5Especialistas avaliam que a alíquota total do IVA pode passar de 30%, acima dos 27% da Hungria.
Resumo feito pela redação

O governo federal já admite a possibilidade de adiar por até seis meses a implementação da reforma tributária, prevista para começar em 1º de janeiro de 2027. A medida vem sendo considerada diante das preocupações apresentadas por empresas e representantes do setor produtivo sobre a falta de definições necessárias para a entrada em vigor das novas regras.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira (6) pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil. Segundo a publicação, integrantes do governo consideram a mudança no cronograma, desde que haja entendimento com o Congresso Nacional e que o adiamento não modifique o conteúdo da legislação aprovada.
Um dos principais obstáculos apontados pelo setor empresarial é o prazo reduzido para adequação aos novos tributos. Empresas precisam atualizar sistemas fiscais, revisar contratos e ajustar preços, mas ainda enfrentam incertezas sobre aspectos importantes da regulamentação.
Definição de alíquota preocupa empresas
Entre os pontos de maior preocupação está a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), um dos novos tributos previstos na reforma.
De acordo com a CNN Brasil, o Tribunal de Contas da União (TCU) estabeleceu uma alíquota de 11,3%, percentual superior ao inicialmente projetado pelo Comitê Gestor. O índice, entretanto, ainda depende de aprovação do Senado Federal, que tem até 15 de dezembro para deliberar sobre a questão.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM) defendeu que o percentual seja debatido antes de sua aprovação definitiva.
A proximidade entre a definição da alíquota e o início da implementação preocupa o empresariado, especialmente pela necessidade de reorganizar operações financeiras, contratos comerciais e estratégias de precificação.
Falta de regulamentação dificulta adaptação
Além da questão das alíquotas, o setor produtivo aponta pendências operacionais que podem comprometer a transição para o novo modelo tributário.
Entre os assuntos ainda sem definição completa estão as regras de funcionamento do split payment, mecanismo que permitirá a separação automática dos tributos no momento do pagamento, e a disponibilização de ferramentas para apuração dos novos impostos.
Também existem dúvidas relacionadas aos documentos fiscais, à compensação de benefícios tributários e aos procedimentos aplicáveis aos contratos de concessão.
Outro ponto de atenção é a carga tributária que poderá resultar da reforma. Conforme a reportagem, especialistas trabalham com a possibilidade de que a alíquota total do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) ultrapasse 30%, percentual superior aos 27% praticados pela Hungria, atualmente uma das referências internacionais de tributação sobre o consumo.
Adiamento ainda não foi decidido
Apesar das discussões internas, não há decisão oficial sobre a alteração do calendário.
A possibilidade considerada por integrantes do governo seria estabelecer um período adicional de adaptação, limitado a aproximadamente seis meses, sem reabrir a discussão sobre os principais pontos da reforma.
Caso avance, a proposta dependerá de articulação política entre o Executivo e o Congresso Nacional.
Enquanto isso, empresas e profissionais da área contábil seguem acompanhando as definições sobre o novo sistema, que deverá modificar significativamente a forma de cobrança dos tributos sobre o consumo no Brasil.
Por Redação CIC7Mais do autor

