O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), passou a noite desta quarta-feira (3) na Superintendência da Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio, após ser preso durante a Operação Unha e Carne. A PF encontrou R$ 90 mil em espécie no carro usado por ele ao chegar ao local.
Bacellar, que aparecia em segundo lugar nas pesquisas mais recentes para a disputa ao governo do Rio em 2026 — atrás apenas do prefeito Eduardo Paes —, é suspeito de vazar informações sigilosas da Operação Zargun, deflagrada em setembro. A investigação levou à prisão do então deputado estadual TH Joias, acusado de atuar em esquema ligado ao Comando Vermelho, com crimes que incluem tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro.
A ordem de prisão preventiva foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que também determinou o afastamento imediato de Bacellar da presidência da Alerj. Na decisão, Moraes afirmou haver “fortes indícios” de que o parlamentar integrava uma organização criminosa e trabalhava para obstruir investigações contra facções, exercendo influência inclusive no Executivo estadual.
De acordo com as apurações da PF, Bacellar teria avisado TH Joias, por telefone, sobre mandados que seriam cumpridos na véspera da Operação Zargun, orientando-o a destruir provas — o que levou o ourives a deixar sua casa às pressas e iniciar uma mudança para esconder vestígios.
A prisão aconteceu após o superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão, convidar o deputado para uma reunião. Ao chegar à superintendência, Bacellar recebeu voz de prisão, e seu celular foi apreendido. A operação também cumpriu oito mandados de busca e apreensão, incluindo o gabinete do parlamentar na Alerj.
O caso se soma aos desdobramentos das investigações que miram a relação entre agentes públicos e o crime organizado no Rio. Até o momento, nem a defesa de Bacellar nem a Alerj se pronunciaram.
As investigações seguem em curso.
