Rússia lança míssil de capacidade nuclear pela primeira vez na guerra, diz a Força Aérea ucraniana

Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

Publicado há 2 anos ago

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A Rússia utilizou, nesta quinta-feira (21), um míssil balístico intercontinental em um ataque contra a cidade de Dnipro, no centro-leste da Ucrânia, segundo informou a Força Aérea ucraniana. Este é o primeiro uso militar registrado de um armamento desse tipo na guerra, iniciada em 2022. O míssil, que pode transportar ogivas nucleares, foi lançado da região de Astrakhan, no sul da Rússia, a aproximadamente 1.000 km de distância do alvo.

De acordo com o Exército ucraniano, o ataque danificou uma instalação industrial e causou incêndios em Dnipro, deixando duas pessoas feridas. Apesar do potencial devastador do míssil, fontes afirmam que ele não estava equipado com uma ogiva nuclear.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou duramente o ataque, chamando o presidente russo Vladimir Putin de “maluco” e acusando-o de desprezo pela vida humana. Zelensky também destacou a gravidade do uso desse armamento de longo alcance, enquanto investigações estão em andamento.

O lançamento ocorre em um momento de intensificação do conflito, com os ucranianos utilizando recentemente mísseis americanos e britânicos para atingir alvos no território russo, incluindo bases militares. Moscou havia alertado que tais ataques seriam considerados uma escalada significativa.

Especialistas de defesa classificaram o uso do míssil intercontinental como “totalmente sem precedentes” e questionaram a lógica por trás da decisão, devido ao alto custo e precisão da arma. A consultoria ucraniana Defense Express levantou dúvidas sobre se os EUA foram previamente informados sobre o lançamento, uma medida necessária para evitar reações automáticas de defesa.

A situação reflete um aumento nas tensões globais. Recentemente, a Rússia flexibilizou sua doutrina nuclear, permitindo uma resposta com armas nucleares mesmo a ataques convencionais contra seu território, caso sejam considerados ameaças críticas à soberania.

Enquanto isso, os EUA mudaram sua política sobre mísseis de longo alcance na Ucrânia, uma decisão que irritou o Kremlin. O conflito, que alcançou seu 1.000º dia, tem atraído atenção internacional, especialmente com a entrada de tropas norte-coreanas no lado russo e o aumento das hostilidades entre as nações envolvidas.

O ex-presidente dos EUA Donald Trump, que recentemente venceu as eleições, declarou que encerrará a guerra, embora não tenha detalhado como. As partes envolvidas no conflito parecem estar tentando fortalecer suas posições antes de eventuais negociações, que permanecem ausentes desde os primeiros meses da guerra.

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Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

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