Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro trouxe à tona um complexo esquema de corrupção envolvendo a construção do Hospital Municipal Che Guevara, em Maricá. O ex-secretário de governo de Maricá e atual deputado estadual Renato da Costa Machado (PT), junto com o secretário de Planejamento municipal, Leonardo Alves, e outras oito pessoas, foram oficialmente denunciados e se tornaram réus em um caso que abrange uma série de acusações, incluindo associação criminosa, peculato, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
A denúncia, aceita pela Justiça, aponta que o grupo é suspeito de receber propinas relacionadas aos contratos de construção do hospital, operação esta realizada pela empresa Ghimel Construções e Empreendimentos. As investigações revelaram que as transações ilícitas tiveram início logo após a contratação da empresa, em 2016, e que parte significativa dos valores envolvidos foi movimentada em espécie, visando ocultar a origem dos recursos.
Além dos réus já citados, a denúncia inclui outros nomes, como Marcos Câmara Rebelo, então secretário de Obras de Maricá, e empresários ligados à Ghimel Construções e Empreendimentos. O Tribunal de Contas do Estado também identificou indícios de superfaturamento na obra, que teve seu valor elevado por meio de termos aditivos.
Diante da gravidade das acusações, a Justiça determinou o sequestro de bens dos denunciados para ressarcir o município. O episódio lança uma sombra sobre a gestão municipal de Maricá e levanta questões sobre a integridade dos processos licitatórios e de contratação de obras públicas.
Tanto o deputado estadual Renato Machado quanto o secretário Leonardo Alves se manifestaram, negando as acusações e afirmando sua disposição em colaborar com as investigações. A Prefeitura de Maricá, por sua vez, informou o afastamento imediato do secretário Leonardo Alves após a decisão judicial, reiterando seu compromisso em esclarecer os fatos.
