Dólar Sobe 1,25% e alcança R$ 5,65 com aversão ao risco no exterior

Por Mariana Carvalho - Rio Janeiro

Publicado há 2 anos ago

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Nesta quarta-feira (24), o dólar acelerou os ganhos ao longo da tarde, impulsionado pelo aumento da aversão ao risco no exterior. A moeda americana encerrou a sessão em alta de 1,25%, cotada a R$ 5,6562, marcando o maior valor de fechamento em mais de 20 dias. Na máxima do dia, o dólar atingiu R$ 5,6618.

A cautela com o quadro fiscal doméstico continua a influenciar os negócios, induzindo à manutenção de prêmios de risco na taxa de câmbio. No entanto, o real sofreu ainda mais nesta quarta-feira devido ao ambiente adverso para ativos emergentes. Um novo fortalecimento do iene levou a uma liquidação de posições em divisas de países com juros altos, especialmente as latino-americanas, frequentemente usadas em operações de “carry trade”. Além do real, o peso mexicano também registrou perdas significativas em relação ao dólar.

Rumores de nova intervenção do Banco do Japão (BoJ) no mercado cambial, juntamente com expectativas de elevação de juros na reunião de política monetária do BoJ na próxima semana (30 e 31), contribuíram para a instabilidade.

Analistas destacam um aumento das incertezas em relação à economia dos Estados Unidos, impulsionado pela corrida presidencial e uma safra de balanços decepcionantes de grandes empresas de tecnologia. Esse cenário aumentou o sentimento de risco nos mercados globais, prejudicando ainda mais as moedas emergentes. O índice VIX, conhecido como termômetro do medo, subiu mais de 20%, atingindo os maiores níveis desde abril.

Comentários de Especialistas

O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, identifica uma piora na “visão de emergentes” como classe de ativos como um dos fatores que impulsionam a alta do dólar em relação às moedas latino-americanas. Esse movimento foi recentemente intensificado pela valorização do iene, levando a um rearranjo das operações de “carry trade”.

“Quando se coloca tudo isso no papel, é possível entender por que o real vem sofrendo. Além disso, temos uma piora da questão doméstica”, afirma Lima. Ele ressalta que o mais recente relatório bimestral de receitas e despesas, divulgado na última segunda-feira (22), “deixou a desejar”, apesar da contenção de gastos. “Não tivemos ainda um alívio com a questão fiscal”.

Desempenho do Dólar Frente a Outras Moedas

Enquanto o dólar se valoriza em comparação com divisas emergentes, a moeda americana recua em relação a seus pares. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, já apresenta uma queda de quase 1,30% em julho.

As taxas dos Treasuries tomaram rumos distintos à tarde. Enquanto o retorno dos papéis de 10 e 30 anos subiu, a taxa da T-note de 2 anos, mais ligada ao rumo da política monetária no curto prazo, recuou mais de 1,5%, para a casa de 4,41%.

Nesta quinta-feira, será divulgada a primeira leitura do PIB americano no segundo trimestre, assim como o índice de preços com consumo (PCE) trimestral. Esses dados poderão aumentar as apostas em torno da magnitude da redução de juros pelo Federal Reserve ainda este ano, atualmente estimada em 75 pontos-base.

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