Nessa quinta-feira (09/05/2024), a Justiça do Rio de Janeiro concluiu o julgamento de cinco policiais militares envolvidos em um caso de estupro durante uma abordagem policial em Saquarema, na Região dos Lagos do Rio. O crime, que ocorreu em abril de 2023, chocou a população local e trouxe à tona questões sensíveis sobre o uso da força por agentes da lei.
O Cabo Gerson Jucá Quirino Rolim de Paula foi o único dos cinco acusados a ser condenado por estupro. A sentença proferida determina uma pena de seis anos, dez meses e quinze dias em regime fechado, além da perda de sua função pública. Por outro lado, ele foi absolvido da acusação de tortura.
Os demais policiais envolvidos no caso — o sargento Diogo Vianna Lourenço, os cabos Alexsander Moreira de Simas e Sanclair Marinho Antunes Corecha, e o tenente Thiago dos Anjos — foram considerados inocentes das acusações de estupro e tortura. Desde o início das investigações, todos os agentes estão afastados de suas funções como policiais.
A Corregedoria da Polícia Militar também abriu um procedimento interno para apurar o caso, buscando esclarecer os detalhes e responsabilidades de cada envolvido.
O crime ocorreu durante uma abordagem realizada pelos agentes do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis) no distrito de Bacaxá. Segundo relatos da vítima e de sua amiga, ambas foram abordadas em um bar após a fuga de outros rapazes, que deixaram drogas para trás.
As jovens foram levadas até a viatura policial para prestar esclarecimentos. No entanto, ao invés de serem conduzidas à delegacia local, foram levadas para a Reserva de Vilatur, uma área isolada e deserta, onde o crime teria ocorrido.
O advogado da vítima relatou que as jovens foram questionadas e pressionadas a fornecer informações sobre os rapazes que fugiram do bar. Em determinado momento, um dos policiais teria afastado a vítima de seus colegas e, sob ameaça de uma faca, a obrigado a manter relações sexuais por cerca de 20 minutos.
Após aproximadamente três horas sob poder dos policiais, as jovens foram liberadas próximo ao local da abordagem inicial.
O tenente Thiago dos Anjos, que não estava na viatura durante o ocorrido, era responsável pela supervisão do Proeis naquela noite, mas não estava na sede no momento. Ele foi afastado do cargo e realocado para funções administrativas.
