O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou o desejo de manter Daniela Carneiro no Ministério do Turismo, mesmo após ela solicitar a saída do União Brasil, partido que a indicou para a posição. Daniela, deputada licenciada, e outros cinco colegas da Câmara entraram com recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) buscando deixar o União Brasil sem perder o mandato, alegando “assédio” político por parte da direção nacional do partido.
Apesar de ter sido indicada pelo União Brasil, que controla três ministérios, Daniela é casada com Wagner Carneiro, conhecido como Waguinho, prefeito de Belfort Roxo (RJ). O casal apoiou Lula na campanha eleitoral do ano passado. Waguinho liderava o diretório do União Brasil no Rio, mas se desfiliou depois de ser substituído no cargo e acusou o deputado Luciano Bivar (PE), presidente do partido, de “intervenção”.
O prefeito, a ministra e os outros cinco deputados alegam que Bivar e Antonio Rueda, vice-presidente da legenda, querem “impor” suas decisões a qualquer custo. “O governo não interfere nos problemas internos dos partidos”, afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. “Daniela Carneiro sempre contou com todo o apreço do presidente Lula.”
Além do Turismo, o União Brasil detém os ministérios das Comunicações e da Integração. O movimento contra Bivar foi iniciado sob acusação de que ele atua como se liderasse um “partido de cartório”. Deputados afirmam que o presidente do União Brasil negociou secretamente cargos nas administrações do governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD).
Waguinho se filiou ao Republicanos, partido que não faz parte da base aliada do governo Lula, mas também não é de oposição. O Republicanos se declara independente em relação ao Palácio do Planalto e tem se aproximado do presidente nos últimos dias. A ministra do Turismo e os outros deputados também desejam migrar para a legenda, presidida pelo deputado Marcos Pereira (SP). Entretanto, antes disso, precisam da autorização do TSE para não correrem o risco de perder o mandato por infidelidade partidária.
O processo foi encaminhado ao gabinete do ministro Ricardo Lewandowski, que se aposentou ontem no Supremo Tribunal Federal e será substituído no TSE por Kassio Nunes Marques. Em sua última decisão, Lewandowski concedeu prazo de cinco dias para o União Brasil responder às denúncias apresentadas por Daniela e seu grupo, que pedem desfiliação por justa causa.
