A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2023 terá uma ascensão significativa, passando de 2,5% para 3%, conforme declarou Guilherme Mello, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, nesta segunda-feira (3). As novas estimativas, que serão oficializadas no final do mês, serão parte integrante do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.
“Nossa projeção inicial era de 2% quando o mercado projetava menos de 1%. Contudo, haverá uma revisão para cima. Estamos nos aproximando de uma realidade de crescimento que oscila entre 2,5% e 3% para este ano”, afirmou Mello. O secretário substituiu o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na inauguração da Comissão Temática de Assuntos Econômicos do Conselhão.
Na última semana, o Banco Central (BC) fez uma previsão mais otimista de 2% de expansão do PIB no seu Relatório de Inflação de junho. A Fazenda, em maio, havia projetado um crescimento de 1,91% para a economia brasileira em 2023.
Em contraste com a estimativa do BC, a Secretaria de Política Econômica ainda não levou em conta o crescimento de 1,9% do PIB no primeiro trimestre, um resultado que surpreendeu analistas. Mello acredita que o declínio da inflação e uma possível redução de juros no segundo semestre serão fatores determinantes para um crescimento ainda mais robusto.
Segundo Mello, o cenário está pronto para um ciclo de harmonização entre as políticas fiscais e monetárias. Projetos em tramitação no Congresso, como o novo arcabouço fiscal e o novo marco legal de garantias, são vistos como contribuintes para a melhoria da economia.
Ele ainda destacou a transição no sistema de meta de inflação, que passará de ano-calendário para contínuo a partir de 2025, conforme aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) na última semana. Esta mudança é apontada como um fator que deve contribuir para a redução dos juros em breve.
Bernard Appy, secretário extraordinário da Reforma Tributária, que também participou da inauguração da comissão temática, informou que a segunda etapa da reforma, com foco nas mudanças no Imposto de Renda, está em desenvolvimento. Em relação à primeira fase, que aborda a reformulação da tributação sobre o consumo, Appy se mostrou confiante na aprovação do relatório do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), apesar de enfrentar resistência de alguns governadores e prefeitos.
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