A empresa BlockSeer, especializada em crimes cibernéticos e financeiros, descobriu uma movimentação de R$ 174 milhões em uma carteira de bitcoins associada à GAS Consultoria e Tecnologia, pertencente a Glaidson Acácio dos Santos, o Faraó dos Bitcoins. A carteira estava inativa desde dezembro de 2021, quando uma transferência favoreceu Noiralis Zerpa, irmã da mulher e sócia de Glaidson, Mirelis Zerpa, que está foragida desde agosto daquele ano.
A investigação da BlockSeer identificou quatro operações de transferência da carteira relacionadas à GAS para destinatários desconhecidos, sendo a primeira, no dia 28 de fevereiro, de apenas R$ 11,7 mil. Porém, minutos depois, ocorreram mais duas transferências, uma de R$ 11,1 milhões e outra de R$ 152 milhões. No dia 5 de março, houve mais uma transação de R$ 11,1 milhões.
Os técnicos da BlockSeer são especialistas em blockchain e usam ferramentas de última geração para detectar fraudes em criptomoedas nas redes blockchain. Apesar de a carteira vinculada à GAS não estar dentro de corretores de criptomoedas, os peritos garantem que toda a transação deixa rastros e pode ser bloqueada quando fica visível.
A GAS Consultoria e Tecnologia é alvo de processo na Justiça Federal por crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Glaidson, Mirelis e outros sócios são acusados de montar um esquema que movimentou R$ 38 bilhões entre 2015 e 2021. Apenas R$ 200 milhões foram apreendidos, e Mirelis desapareceu após sacar R$ 1 bilhão em bitcoins no dia seguinte às prisões.
Na 5ª Vara Empresarial da Capital, no Rio de Janeiro, corre um processo de falência contra a GAS, que tem como um dos principais objetivos recuperar os ativos da empresa e pagar os credores. Especialistas acreditam que, se a pessoa responsável pela carteira quiser trocar as criptomoedas, terá de convertê-las em alguma moeda corrente por intermédio de outra carteira, tornando a transação visível.
Os advogados de Mirelis, Ciro Chagas e André Hespanhol, manifestaram perplexidade com as informações divulgadas pela BlockSeer e afirmaram que a divulgação de dados financeiros sem autorização judicial é crime, além de destacarem que é papel da polícia ou do Ministério Público fazer esse tipo de investigação. As autoridades públicas e empresas privadas contratadas estão monitorando todas as transações para chegar a terceiros que receberam criptomoedas oriundas dessas wallets.
