O cantor sertanejo Leonardo foi incluído na chamada “lista suja” do trabalho escravo pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) após uma operação de fiscalização, que resgatou seis trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma de suas propriedades, a Fazenda Lakanka, localizada em Jussara, Goiás. Entre os trabalhadores resgatados, estava um adolescente de 17 anos. A fiscalização também inspecionou a Fazenda Talismã, ambas sob o controle do cantor.
O relatório produzido pela equipe de fiscalização revela um cenário de total precariedade. Os trabalhadores dormiam em um alojamento sem condições mínimas de habitabilidade, com camas improvisadas, sem banheiros e expostos a infestações de morcegos. Além disso, a propriedade não oferecia água potável, e os trabalhadores precisavam caminhar cerca de 2 quilômetros para buscar água na sede da fazenda.

Alojamento Improvisado e Condições Insalubres
Os fiscais do MTE descreveram o alojamento dos trabalhadores como uma casa abandonada, com telhas deslocadas, permitindo a entrada de água da chuva. Os trabalhadores dormiam em camas improvisadas, feitas com materiais encontrados no local, como tábuas de madeira e portas velhas. Em meio a essa estrutura precária, os fiscais também identificaram a presença de fezes de morcego em todos os cômodos e uma infestação de insetos.
Segundo o relatório, a situação do banheiro era igualmente alarmante. O local estava completamente inutilizável, o que forçava os trabalhadores a usar áreas ao ar livre, como árvores próximas, para necessidades básicas. Um dos pontos críticos observados foi a falta de água potável. Os empregados usavam uma mangueira conectada a um poço sem manutenção para se banhar e lavar suas roupas, o que também expunha os trabalhadores ao risco de choques elétricos ao manusearem a bomba d’água.

Área Arrendada e Responsabilidade do Cantor
A defesa de Leonardo argumentou que a área onde os trabalhadores foram encontrados estava arrendada desde agosto de 2022 para outra pessoa, responsável pelo cultivo de soja. No entanto, o MTE responsabilizou o cantor porque, mesmo com o arrendamento, os trabalhadores prestavam serviços em suas terras.
O advogado do cantor, Pedro Vaz, informou que Leonardo desconhecia as condições dos trabalhadores e que todas as indenizações foram pagas após um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público do Trabalho. Além disso, ele destacou que as medidas legais estão sendo tomadas para retirar o nome do artista da “lista suja”.

Pronunciamento de Leonardo
Após a divulgação de seu nome na lista, Leonardo se pronunciou em suas redes sociais, lamentando o ocorrido e alegando não ter conhecimento da situação na fazenda. “Eu, do meu coração, jamais faria isso. Acho que houve um grande equívoco sobre a minha pessoa”, disse o cantor em um vídeo.
O Ministério do Trabalho e Emprego esclareceu que a inclusão na lista suja é resultado de um processo administrativo após a fiscalização e que o nome dos empregadores permanece por dois anos, com o objetivo de dar transparência às ações de combate ao trabalho escravo.
