Vítimas de pirâmide financeira que movimentou R$ 134 milhões entregavam até carros para empresa

Por Cic7 Redação - Rio Janeiro

Publicado há 3 anos ago

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O guarda municipal do Rio Rodrigo Cesar de Souza da Silva foi preso em operação nesta terça-feira. Contrato oferecia bônus de 5% a cada seis meses se não houvesse retiradas dos clientes

Clientes da Investimento Confiança e a IC Invest Ltda, empresa investigada por esquema de pirâmide financeira pela Polícia Civil e Ministério Público do Rio, entregavam até o carro pela promessa de ganhos acima do mercado. Uma farmacêutica entregou as chaves de um veículo avaliado em R$ 42 mil para a companhia do guarda municipal Rodrigo Cesar de Souza da Silva, além de depositar R$ 16 mil em espécie com a expectativa de rendimentos de 5% ao mês.

Nesta quarta-feira, uma operação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio, e da 57ª DP (Nilópolis) prendeu Rodrigo Cesar, apontado como chefe do esquema. Outro investigado de fazer parte da quadrilha é Jadson Luiz do Nascimento Gonçalves. Os dois teriam criados duas empresas para operacionalizar o golpe: a Investimento Confiança e a IC Invest Ltda.

A farmacêutica que entregou seu carro à IC Invest entrou na Justiça para reaver o investimento. Ela contou na ação ter assinado um contrato e, após o repasse dos valores a empresa investiria a quantia no mercado financeiro com a promessa do retorno de 5% mensal. O contrato ainda previa um “bônus” da mesma porcentagem a cada seis meses se no semestre não houvesse retiradas. Na ação, a investidora conta que combinou que faria uma retirada de R$ 1 mil a cada mês e seria paga nos dias 15 . Um mês depois, ela já não recebeu a quantia.

Nem a empresa ou Rodrigo Cesar, processados pela farmacêutica, se defenderam na ação. O juiz de primeira instância negou o pedido de obriga-los a ressarcir a mulher. No entanto, no mês passado, a 2ª Câmara de Direito Privado determinou o reembolso de R$ 58 mil. Em seu voto, a desembargadora Renata Machado Cotta ainda destacou que “a empresa escolhida pela recorrente sequer integra a rede bancária nem se consubstancia em instituição financeira regulamentada e fiscalizada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional”

“Os demandados atuaram de forma indevida, induzindo a autora a acreditar na promessa de ganho financeiro, sem de fato cumprir as obrigações assumidas no contrato”, diz trecho do voto.
Busca e apreensão

Uma operação do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio, e da 57ª DP (Nilópolis) mira a quadrilha especializada em golpes de pirâmide financeira. Ao todo, dois mandados de prisão e oito de busca e apreensão foram expedidos pela 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa. O guarda municipal Rodrigo Cesar de Souza da Silva, que foi denunciado à Corregedoria da corporação por aplicar o golpe em colegas de trabalho, foi preso.

Pelo menos 12 servidores da Guarda Municipal denunciaram Rodrigo Cesar. As investigações revelam que a organização criminosa movimentou, entre os anos de 2021 e 2022, cerca de R$ 134 milhões. Os mandados são cumpridos em endereços nos bairros da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Campo Grande, na Zona Oeste.

Além de Rodrigo Cesar, Jadson Luiz do Nascimento Gonçalves também é apontado pela Polícia Civil como um dos chefes do esquema. Juntos, eles criaram duas empresas para operacionalizar o golpe: a Investimento Confiança e a IC Invest Ltda.

— Jadson já estava há bastante tempo (no esquema). Ele cooptou o Rodrigo, que estava começando nessa atividade. Então, o Jadson, sem sombra de dúvidas, é o grande mentor do esquema. Esse grupo criou algo além de associação criminosa, algo maior e mais sólido, que é a organização criminosa. Com uma profundidade, organização, ousadia, estrutura, divisão de tarefas, e como um dos integrantes sendo um agente público — explicou o delegado Deoclécio Assis, titular da 57ª DP.

Como o grupo agia

O grupo prometia à vítima remuneração de 5% ao mês e recuperação do valor total investido ao final do contrato de “aluguel de capital financeiro”. Para isso, eles alegavam que os recursos disponibilizados seriam aplicados em operações de “day trading” na Bolsa de Valores.

Com a intenção de arrecadar a maior quantia possível, em dinheiro, os criminosos convenceram as vítimas a tomar empréstimos bancários e entregar bens como veículos e imóveis. A justificativa era que seriam convertidos em valores, que, posteriormente, seriam investidos.

A investigação começou a partir de notícia crime realizada por 12 guardas municipais do Rio que foram vítimas do golpe. Segundo a polícia, familiares desses guardas também foram lesados pelo grupo.
Para conferir credibilidade à atividade, os criminosos simulavam um cenário de operações na bolsa, além de alugarem helicóptero, e ostentarem em redes sociais uma vida luxuosa.

Em nota, a Guarda Municipal diz que Rodrigo de Souza Silva “já foi afastado de suas atividades profissionais. O caso está sendo acompanhado pela Corregedoria e a instituição está colaborando com as investigações do Ministério Público e da Polícia Civil”.

A denúncia do Gaeco narra que os investidores percebiam que haviam sido vítimas do golpe ao receberem das empresas um comunicado informando sobre a diminuição da taxa de lucros e rendimentos. Segundo os relatos, as promessas de rendimentos caíram de 5% ao mês para 2% e até 1% ao mês, chegando à completa interrupção dos pagamentos.

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Por Cic7 Redação - Rio Janeiro

Publicado há 3 anos ago

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