A Câmara Municipal de Macaé publicou no Diário Oficial desta segunda-feira (9/12) a exoneração de Poliana Dutra, investigada pela Polícia Federal na Operação Nova Capistrum por supostos vínculos com a facção ADA e com grupos paramilitares que atuam no município. A decisão administrativa extingue sua nomeação no gabinete do vereador Rudneli das Neves Coutinho, conhecido como Rond Macaé, onde ela exercia o cargo de Assessora Parlamentar de Nível A.
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A exoneração foi registrada com data retroativa a 8 de dezembro, apenas alguns dias após a deflagração da operação federal que revelou a atuação de organizações criminosas na coação de eleitores, no financiamento ilícito de campanhas e na infiltração de representantes do crime organizado na estrutura pública municipal.

A saída repentina de Poliana do quadro funcional da Câmara reforça, segundo investigadores e especialistas consultados, a dimensão da proximidade que ela mantinha com órgãos do poder municipal. Essa mesma proximidade já havia sido documentada pela Polícia Federal durante a operação, que identificou diversas nomeações anteriores de Poliana tanto na Prefeitura quanto no Legislativo.
A reportagem do CIC7 Notícias revelou ainda fotografias e registros anexados ao inquérito que mostram a investigada circulando no ambiente político local com naturalidade, mantendo relações frequentes com figuras de relevância — entre elas, a vereadora Manu Rezende, filha de Márcio Rezende, irmão do prefeito. As imagens, segundo o inquérito, são tratadas como indícios concretos da inserção de Poliana em núcleos decisórios da política macaense, mesmo com seu histórico de envolvimento com o tráfico de drogas.
Para investigadores que acompanham o caso, a exoneração “logo após a operação” demonstra uma movimentação para tentar desvincular a Câmara e outros setores do poder municipal da investigada, após anos de convivência e vínculos políticos que agora são alvo direto da PF. O desligamento, na avaliação de fontes jurídicas, não elimina a relevância das evidências já colhidas que indicam a influência de Poliana na estrutura pública e sua proximidade com grupos criminosos.
A Operação Nova Capistrum segue em curso e continua apurando a extensão da infiltração do crime organizado na administração municipal de Macaé. A Polícia Federal já confirmou que o objetivo é esclarecer como milícias e facções do tráfico utilizavam cargos públicos, empresas contratadas e lideranças políticas para consolidar poder territorial, financeiro e eleitoral.
