Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó dos Bitcoins”, vai a júri popular nesta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro. O julgamento está relacionado a acusações de crimes contra a vida atribuídos ao grupo que, segundo o Ministério Público, atuava sob seu comando. O processo estava previsto inicialmente para ocorrer em Cabo Frio, cidade onde a GAS Consultoria ganhou projeção, mas foi transferido para a capital fluminense.
Entre os casos atribuídos ao grupo de Glaidson está o assassinato do trader Wesley Pessano, de 19 anos, morto a tiros em São Pedro da Aldeia. Segundo o Ministério Público, Glaidson teria estruturado um grupo armado para eliminar pessoas consideradas obstáculos aos negócios da organização. Também há acusação de tentativa de homicídio contra Nilson Alves da Silva, o “Nilsinho”, investidor do mercado de criptomoedas que sobreviveu a um ataque a tiros. O julgamento desta quarta não trata diretamente do funcionamento financeiro da GAS — o Tribunal do Júri analisa exclusivamente os crimes dolosos contra a vida.
Glaidson está preso desde agosto de 2021, quando foi alvo da Operação Kryptos, da Polícia Federal, que investigou as operações financeiras da GAS Consultoria, empresa que atraía clientes com a promessa de rendimentos mensais de cerca de 10% em operações com criptomoedas. Segundo o livro “Queda Livre — A história de Glaidson e Mirelis, faraós dos bitcoins”, dos jornalistas Chico Otavio e Isabela Palmeira, lançado pela Intrínseca em maio de 2024, o esquema movimentou cerca de R$ 38 bilhões entre 2015 e 2021 e alcançou pelo menos 89 mil pessoas.
Em outubro de 2025, a Justiça do Rio já havia condenado Glaidson a 19 anos e dois meses de prisão por organização criminosa e corrupção ativa, em processo separado do julgamento desta quarta. Segundo o MPRJ, a organização ligada à GAS atuava na Região dos Lagos e praticava crimes contra concorrentes, além de corrupção e ameaças — a acusação aponta ainda que vantagens indevidas teriam sido oferecidas a policiais civis para diligências contra rivais da empresa.
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A trajetória de Glaidson e da mulher, Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, virou livro e teve os direitos de adaptação para o cinema adquiridos pela Morena Filmes. O projeto, anunciado em 2024, ainda não tem elenco, data de estreia ou estágio de produção confirmados publicamente.
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