Roubo de valor inestimável no Louvre: Joias históricas da Coroa Francesa são roubadas em ação relâmpago

Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

Publicado há 8 meses ago

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O mundo da arte acordou em choque nesta segunda-feira com o ousado roubo de joias inestimáveis no Museu do Louvre, um dos tesouros culturais mais visitados do planeta. Em uma ação cinematográfica que durou menos de sete minutos, um grupo de ladrões encapuzados invadiu a Galeria de Apolo, no coração do museu, e levou oito peças históricas da antiga coroa francesa, avaliadas em milhões de euros. O incidente, apelidado pela imprensa local de “roubo do século”, expõe vulnerabilidades de segurança em um local que abriga ícones como a Mona Lisa e a Vênus de Milo.

O assalto ocorreu na manhã de domingo (19), por volta das 9h30 (horário local, 4h30 em Brasília), logo após a abertura das portas ao público. Segundo o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, os criminosos – entre três e quatro indivíduos – demonstraram “experiência notável” e planejamento meticuloso. Eles usaram um guindaste para escalar o prédio e quebrar uma janela no andar superior, acessando o local por um elevador de carga. Armados com motosserras e esmerilhadeiras, ameaçaram guardas e romperam vitrines para arrematar as joias. A fuga foi igualmente audaciosa: em scooters e motocicletas, os ladrões desapareceram pelas ruas de Paris, deixando para trás apenas pistas mínimas.

As Joias Roubadas: Relíquias de Reis e Imperadores

O Ministério da Cultura da França divulgou a lista das peças levadas, todas oriundas da coleção de joias da monarquia francesa do século XIX, expostas na icônica Galeria de Apolo – reconstruída pelo rei Luís XIV após um incêndio. Entre os itens furtados:

  • Conjunto de diamantes e safiras usado pela rainha da Holanda, Hortense de Beauharnais (filha de Josefina, esposa de Napoleão Bonaparte).
  • Peças pertencentes à rainha consorte da França, Marie-Amélie.
  • Joias da duquesa de Guise, Isabelle d’Orléans, cravejadas com pedras preciosas raras.

Os ladrões tentaram levar também a coroa da imperatriz Eugénie (esposa de Napoleão III), uma obra-prima de ouro adornada com 1.354 diamantes e 56 esmeraldas. No entanto, na pressa da fuga, a peça foi abandonada e encontrada danificada em uma rua próxima ao museu, conforme revelou a ministra da Cultura, Rachida Dati, em entrevista à TV francesa. “Foi um item deixado para trás na ânsia de escapar”, comentou ela, destacando que nove objetos foram alvos iniciais, mas apenas oito foram efetivamente subtraídos.

O valor das joias é considerado “inestimável” devido ao seu significado histórico, ligando-se diretamente à era napoleônica e aos saques artísticos que moldaram o acervo do Louvre. Especialistas alertam que o mercado negro para relíquias assim é voraz, e a recuperação pode levar anos – ou décadas, como em casos anteriores.

Reações e Críticas: Um Golpe à “Alma Francesa”

O roubo gerou um furacão político na França. O presidente Emmanuel Macron classificou o incidente como “um ataque à nossa história comum”, enquanto líderes da oposição, como Marine Le Pen (Frente Nacional) e Jordan Bardella (Aliança Nacional), não pouparam críticas ao governo. “Uma humilhação intolerável e uma ferida na alma francesa”, disparou Le Pen, ecoando o sentimento de muitos que veem o episódio como falha de segurança em um museu que recebe até 30 mil visitantes por dia.

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, admitiu publicamente: “Falhamos”. Ele prometeu investigações rigorosas, com análise de vídeos de câmeras de segurança e uso de cães farejadores para rastrear os suspeitos. Nuñez reforçou a vigilância em museus e instituições culturais em todo o país, admitindo uma “grande vulnerabilidade” nos sistemas de proteção. A promotora de Paris, Laure Beccuau, confirmou que os ladrões estavam desarmados, mas usaram ferramentas para intimidar, e que a gangue pode ter laços com outros crimes semelhantes.

O Louvre, que atraiu 8,7 milhões de visitantes em 2024, permanece fechado nesta segunda-feira (20) para perícia e reforço de segurança. A superlotação crônica e a falta de investimentos em protocolos modernos – problemas já denunciados por autoridades – voltam ao debate. “É um museu icônico, mas precisa de mais do que alarmes obsoletos”, comentou um curador anônimo à BFM TV.

Um Padrão de Audácias no Louvre

Este não é o primeiro capítulo sombrio na história do Louvre. Em 1911, o operário italiano Vincenzo Peruggia roubou a Mona Lisa de Leonardo da Vinci, escondendo-a sob o casaco e mantendo-a por dois anos antes de ser pego ao tentar vendê-la. Em 1983, duas peças de armadura renascentista foram furtadas e só recuperadas quase 40 anos depois. Durante a Segunda Guerra, o museu escapou de saques nazistas graças a uma operação secreta de evacuação de obras.

Agora, com ladrões que pareciam saídos de um filme de heist, o mundo espera por avanços na investigação. Enquanto isso, Paris lamenta a perda de pedaços de sua herança real – joias que não têm preço, mas que foram levadas em um piscar de olhos. As autoridades apelam por denúncias anônimas, e o enigma dos “fantasmas da Galeria de Apolo” segue sem solução. O roubo não só esvaziou vitrines, mas reacendeu o debate sobre como proteger o passado em um mundo cada vez mais veloz.

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Publicado há 8 meses ago

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