PMs que mataram dois pedreiros em São Gonçalo disseram que confundiram tripé de medição com fuzil

Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

Publicado há 1 minuto ago

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O corpo do pedreiro Edivan Felipe de Assis, de 41 anos, está sendo velado nesta sexta-feira (29) no Cemitério São Miguel, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Durante a despedida, familiares pediram por justiça. Edivan e Marcelo da Cruz Silva, também de 41 anos, foram mortos por policiais militares na manhã de quarta-feira (27), quando saíam de casa para trabalhar.

Em depoimento, os agentes disseram que confundiram um tripé de medição que estava no colo de um dos pedreiros com um fuzil. Relataram ainda que algumas câmeras corporais estavam descarregadas no momento dos disparos e que havia forte neblina no local. Três policiais foram afastados das atividades de rua.

Uma testemunha contou à polícia que viu os dois pedreiros segundos antes de serem baleados. “Eles passaram por mim, me cumprimentaram, deram bom dia. Nisso que ele seguiu, por volta de uns trinta segundos depois, já escutei um monte de tiros”, relatou. “Não teve voz de prisão, não teve pedido para parar, eles simplesmente chegaram próximo aos policiais que estavam escondidos e eles atiraram”, completou.

Familiares lamentaram as mortes. “Morreu de maneira covarde. Ele não era bandido, morreu na covardia”, disse uma prima de Edivan, que preferiu não se identificar. A viúva de Marcelo afirmou que nenhum representante do governo procurou a família. Edivan deixa um neto de três meses. Marcelo deixa esposa e uma filha.

A perícia encontrou uma ferramenta, descrita como uma régua de pedreiro, a cerca de 150 metros dos corpos. Segundo testemunhas, os disparos aconteceram entre 7h e 7h30, e os agentes estavam no local em apoio a uma operadora de telefonia. O corpo de Marcelo foi sepultado na quinta-feira (28).

A Polícia Civil solicitou as imagens das câmeras corporais e aguarda o material. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Em nota, a PM lamentou as mortes e afirmou colaborar integralmente com as investigações.

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