A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou um esquema de furto de combustível diretamente de um oleoduto da Petrobras em Ceilândia. A operação, realizada na última sexta-feira (5), interrompeu o desvio de cerca de 100 mil litros de derivados de petróleo, causando um prejuízo estimado em R$ 2,1 milhões.
De acordo com as investigações da 19ª Delegacia de Polícia (P Norte), os criminosos alugaram há aproximadamente três meses um imóvel no condomínio Vista Bela, às margens da DF-180. Aos proprietários, eles informaram que o local seria utilizado para uma borracharia, mas nenhum comércio chegou a funcionar no endereço.
Moradores da região começaram a desconfiar da movimentação após perceberem o acúmulo de grande quantidade de terra dentro do imóvel, além de atividades concentradas apenas durante a noite. Também foram relatados forte cheiro de combustível, circulação frequente de caminhões e retirada de materiais durante a madrugada.
As diligências da chamada Operação Estige revelaram que os suspeitos haviam escavado um túnel a partir do interior da loja para alcançar o oleoduto da Petrobras. Segundo a polícia, o grupo utilizava uma técnica conhecida como “trepanação”, que consiste em perfurar a tubulação para retirar combustível sem interromper o fluxo do produto.
A investigação apontou que, apenas nos dias 1º e 4 de junho, foram registrados furtos de gasolina e diesel diretamente da tubulação. No entanto, o volume total desviado pelo grupo é estimado em aproximadamente 100 mil litros.
Além do prejuízo financeiro, as autoridades alertaram para o risco de uma tragédia. Especialistas informaram que uma explosão provocada pela perfuração clandestina poderia atingir uma área de até três quilômetros de diâmetro, colocando moradores e imóveis da região em perigo.
Segundo a PCDF, o esquema demonstra alto grau de planejamento e conhecimento técnico. A perfuração de oleodutos exige equipamentos específicos e treinamento para evitar vazamentos e explosões durante a retirada do combustível.
As investigações continuam para identificar todos os integrantes da organização criminosa, incluindo possíveis receptadores do combustível furtado e responsáveis pela logística do esquema. Os envolvidos poderão responder por furto qualificado, associação criminosa e outros crimes relacionados ao risco causado à população.
