Com histórico de condenações por corrupção, Paulo Melo volta ao centro de uma operação do Ministério Público por liderar rede criminosa com atuação em Saquarema, Araruama e Rio Bonito.
O ex-deputado estadual Paulo Cesar Melo de Sá, mais conhecido como Paulo Melo, voltou a ser alvo de investigações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), desta vez por seu suposto envolvimento em um esquema de jogos de azar e lavagem de dinheiro com atuação em pelo menos três municípios da Região dos Lagos: Saquarema, Araruama e Rio Bonito.
🚨 Clique aqui para fazer parte do nosso grupo de whatsapp e receber todas as notícias da cidade em primeira mão!
A nova fase da investigação, revelada nesta sexta-feira (25), aponta que Paulo Melo seria o chefe de uma organização criminosa estruturada em dois núcleos: o operacional, responsável por distribuir e manter as máquinas caça-níqueis, e o financeiro, dedicado a ocultar os lucros milionários com operações que vão desde a compra de criptomoedas até a aquisição de imóveis de luxo em Miami e uma fazenda no Pará.
Segundo fontes do MPRJ, os rendimentos ilícitos do grupo chegavam a R$ 400 mil por semana, movimentados em espécie ou lavados por meio de empresas de fachada, transações internacionais e contas de terceiros.
Entre os investigados, estão nomes que já vinham sendo monitorados há mais de um ano, como “Camilo”, suposto policial ligado à instalação das máquinas, além de “Juarez”, “Gileade” e “Jardel”, identificados como operadores da célula financeira da quadrilha. Todos são suspeitos de agir com apoio de agentes públicos, entre eles policiais civis e militares.
Relembre: CIC7 expôs o esquema com exclusividade em 2024
Em outubro de 2024, o CIC7 Notícias foi o primeiro veículo a publicar, com exclusividade, uma denúncia formalizada junto ao MPRJ que já apontava Paulo Melo como líder de uma sofisticada rede criminosa voltada à exploração de caça-níqueis e corrupção institucionalizada. À época, a reportagem revelou a existência de máquinas modernas, chamadas “Caveirinhas”, distribuídas em pontos comerciais da Região dos Lagos, como bares e depósitos de bebidas.
A estrutura, segundo a denúncia inicial, era empresarial, com divisão de tarefas claras, funcionários pagos para operar os equipamentos e agentes armados para garantir a continuidade do negócio.
As investigações também mostraram que o grupo usava o lucro para comprar criptomoedas, lavar dinheiro com empresas fictícias e adquirir bens de luxo no Brasil e no exterior, dificultando o rastreio do patrimônio real de seus membros. Imóveis em Miami e uma propriedade rural no Pará foram incluídos entre os alvos de bloqueio e análise patrimonial.
O material foi encaminhado ao Ministério Público com indícios robustos de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
A reincidência e o silêncio das instituições
Apesar de já ter sido condenado por corrupção em operações anteriores, como a famosa Operação Cadeia Velha, Paulo Melo continua elegível e tem articulado sua possível volta à política. O novo inquérito reacende um debate urgente sobre a fragilidade do sistema legal, que permite que figuras com passado criminal sigam influentes na esfera pública.
A reportagem procurou a defesa de Paulo Melo, que não se pronunciou até o fechamento desta matéria. O CIC7 Notícias também aguarda um posicionamento do Ministério Público sobre os próximos passos da investigação.
LEIA TAMBÉM: https://www.cic7noticias.com/saquarema/ministerio-publico-abre-inquerito-pra-investigar-envolvimento-de-paulo-melo-em-esquema-de-maquinas-caca-niquel-em-saquarema-araruama-e-rio-bonito/
