Mais de 700 celulares foram apreendidos em unidades prisionais do Rio de Janeiro nos últimos 40 dias, após a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) reforçar as operações de revista. Os aparelhos foram encontrados escondidos em celas e diferentes áreas dos presídios.
As apreensões evidenciam um dos problemas enfrentados pelo sistema penitenciário fluminense. Das 48 unidades prisionais do estado, somente duas possuem atualmente equipamentos capazes de bloquear sinais de telefonia. Juntas, elas abrigam cerca de 2,8 mil detentos, enquanto o sistema possui aproximadamente 48 mil presos.
Em uma das ações recentes, agentes utilizaram uma ferramenta para localizar um telefone escondido. Em outra ocorrência, um aparelho foi encontrado dentro de uma caixa de tomada.
Os bloqueadores estão instalados nas penitenciárias Gabriel Ferreira e Castilho, conhecida como Bangu 3, e Jonas Lopes de Carvalho, Bangu 4. O serviço é prestado pela empresa IMC Tecnologia em Segurança, em contrato válido até novembro de 2028.
O custo mensal do serviço é de aproximadamente R$ 845,4 mil.
Mesmo nas unidades equipadas com bloqueio, agentes já identificaram tentativas de acesso à internet. No mês passado, uma inspeção de raio-X encontrou uma antena de internet via satélite escondida dentro de um equipamento enviado pelos Correios a um preso de Bangu 4. O material foi apreendido e o detento levado para isolamento.
A Seppen afirma que pretende levar o bloqueio de sinal para todas as unidades prisionais do estado. Ainda não há uma data definida para o início do funcionamento dos novos equipamentos.
Existe previsão orçamentária de quase R$ 12 milhões por mês para ampliar o serviço, e o governo estadual tem até o próximo ano para efetivar a contratação.
A secretaria também avalia uma alternativa em que as próprias operadoras de telefonia realizem o bloqueio em áreas determinadas ao redor dos presídios, o que, segundo o órgão, poderia reduzir os custos para o poder público.
A IMC Tecnologia em Segurança, responsável pelos equipamentos instalados nas duas unidades do Rio, também teve contrato para prestar o serviço no Rio Grande do Sul. A parceria foi encerrada em março.
Segundo publicação oficial daquele estado, a decisão foi motivada por “perda de confiança na execução contratual” e pelo histórico infracional da empresa. A IMC, por sua vez, afirmou que a rescisão envolve divergências técnicas sobre as frequências utilizadas pelo sistema e que o caso está sendo analisado em procedimento administrativo.
A empresa também declarou que os sistemas instalados nos presídios do Rio de Janeiro estão em funcionamento.
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