O traficante Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, de 64 anos, deixou o Complexo de Gericinó, em Bangu, nesta segunda-feira (15), após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro Sebastião Reis Júnior concedeu habeas corpus em caráter humanitário, determinando que ele passe a cumprir prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.
🚨 Clique aqui para fazer parte do nosso grupo de whatsapp e receber todas as notícias da cidade em primeira mão!
Na decisão, tomada em 9 de setembro, o relator destacou que a medida foi adotada por “razões humanitárias e excepcionais”, considerando a saúde do traficante e o quadro grave de sua esposa, Deise Mara de Souza Rodrigues, diagnosticada com metástase de câncer. O ministro também ressaltou que a prisão preventiva deve ser a última alternativa, quando não houver outras medidas adequadas ao caso.
Segundo a defesa, Celsinho sofre de hipertensão, diabetes tipo 2, dislipidemia e diverticulite aguda, doenças que exigem tratamento contínuo e inviabilizariam sua permanência no sistema prisional. O advogado Max Marques afirmou que a decisão reconheceu “a condição delicada de saúde dele e o grave quadro de saúde de sua esposa”.
A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) confirmou que cumpriu o alvará de soltura expedido pelo Tribunal de Justiça do Rio.
Histórico e investigações recentes
Celsinho foi preso em maio deste ano, na Vila Vintém, em Padre Miguel, Zona Oeste do Rio. De acordo com a Polícia Civil, ele havia se aliado ao Comando Vermelho (CV), facção rival histórica da Amigos dos Amigos (ADA), para retomar territórios dominados por milícias. As investigações apontaram também um acordo com o miliciano André Costa Bastos, o Boto, para ocupar a comunidade Vila Sapê, em Curicica.
As apurações revelaram uma aliança inédita entre ADA, CV e milícia, voltada ao domínio de áreas estratégicas da Zona Oeste. O pacto incluía divisão territorial, uso de armamento pesado e até execuções ordenadas em conjunto, como a do miliciano dissidente Fábio Taca Bala, morto por traficantes do CV.
Quem é Celsinho
Celsinho tem um longo histórico criminal. Foi preso pela primeira vez em 1990 e voltou ao sistema em 1996, mas fugiu em 1998 vestido de policial militar. Recapturado em 2002, passou quase 20 anos em presídios, incluindo o Sistema Penitenciário Federal de Porto Velho (RO).
Condenado por tráfico, roubo e organização criminosa, chegou a afirmar em entrevista ao jornal O Globo que vivia do tráfico, chegando a faturar cerca de R$ 50 mil por semana na Vila Vintém.
Em 2017, foi apontado como mandante da invasão à Rocinha, mas o Ministério Público do Rio levantou suspeitas de armação no caso, o que resultou em sua soltura em 2022.
