O homem preso por exercer ilegalmente a medicina e atender uma criança de 10 anos com tumor cerebral também teria realizado exames admissionais de candidatos contratados para atuar na rede municipal de ensino de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio.
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Diogo dos Santos Serpa foi preso em flagrante na quinta-feira (6), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo a Polícia Civil, ele não possui formação nem habilitação para exercer a medicina e teria utilizado o nome, registro profissional, carimbos e receituários de outros médicos durante os atendimentos.
Uma trabalhadora ouvida pela reportagem, que preferiu não se identificar, afirmou que foi atendida por Diogo durante o processo admissional. Ela havia sido aprovada para trabalhar na rede municipal e agora teme que o exame realizado pelo suspeito possa não ter validade.
Segundo a trabalhadora, cerca de três médicos participavam dos exames admissionais realizados para os candidatos. Ela afirmou que Diogo foi o responsável por examiná-la.
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“Eu fiz o exame admissional com esse falso médico. Não sei como uma empresa contrata uma pessoa que não é médica. Como fica a minha situação? Essa dúvida também deve ser de todos que fizeram o exame com ele”, relatou.
Um Atestado de Saúde Ocupacional (ASO) obtido pela reportagem apresenta o carimbo de “Dr. Jefferson Sampaio”. Segundo a Polícia Civil, Diogo utilizava o nome e o registro profissional desse médico durante os atendimentos. O documento analisado indica que a pessoa examinada foi considerada apta para exercer a função.
Candidatos podem ter sido atendidos pelo suspeito
Uma convocação publicada pelo Instituto Rede de Apoio Social mostra que 28 candidatos ao cargo de Auxiliar de Educação Infantil foram chamados para o Processo Seletivo nº 006/2026.
A entrega da documentação, considerada uma etapa classificatória e eliminatória, ocorreu no dia 30 de julho, no Colégio Municipal Francisco Porto de Aguiar.

Segundo a denúncia recebida pela reportagem, parte dos candidatos teria realizado exames com Diogo.
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Outra médica também participava dos atendimentos admissionais. Diante da descoberta de que Diogo atuava como falso médico, surgiram questionamentos entre candidatos sobre a regularidade dos exames realizados por ele e também dúvidas levantadas por alguns participantes sobre a formação e a habilitação da outra profissional.
Não há, até o momento, confirmação oficial de irregularidade envolvendo essa médica, e a reportagem não atribui a ela qualquer crime. A situação deverá ser esclarecida caso seja objeto de apuração pelas autoridades competentes.
A reportagem busca confirmar quantos candidatos foram examinados por Diogo, em quais processos seletivos ele atuou e se os profissionais precisarão passar por novos exames admissionais.
Outras denúncias sobre o processo seletivo
Além do caso envolvendo os exames médicos, candidatos também questionam outras etapas dos processos seletivos conduzidos pelo Instituto Rede de Apoio Social.
Entre as reclamações estão a ausência de listas completas com pontuações e classificações, falta de justificativas para notas atribuídas na análise de títulos e currículos e questionamentos sobre os resultados dos recursos apresentados.
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Também há relatos de dificuldades para acompanhar as etapas e acessar informações pelos canais oficiais. Os candidatos pedem a divulgação integral das relações de inscritos, notas, classificações e demais informações relacionadas ao processo.
Prisão do falso médico
Diogo foi preso por agentes da 63ª DP (Japeri) durante um atendimento domiciliar a uma criança de 10 anos que fazia tratamento contra um tumor cerebral maligno.
De acordo com a Polícia Civil, o homem não possuía formação ou habilitação médica. A investigação aponta que ele atendia a criança desde outubro de 2025 e teria realizado pelo menos seis consultas, cobrando entre R$ 700 e R$ 1 mil por atendimento.
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Durante esse período, segundo os investigadores, Diogo teria prescrito medicamentos, solicitado exames e feito encaminhamentos utilizando os dados profissionais de outro médico.
A criança possui meduloblastoma grau IV. Para a Polícia Civil, a atuação de uma pessoa sem habilitação poderia colocar a saúde da paciente em risco.
A mãe da menina teria desconfiado da situação após identificar inconsistências nas prescrições. Ao consultar o cadastro do Conselho Regional de Medicina, verificou que a fotografia vinculada ao registro apresentado não correspondia ao homem que realizava os atendimentos.

Durante a abordagem, os policiais apreenderam um carimbo e receituários de controle especial em nome de Jefferson Targino Sampaio, além de documentos carimbados em nome de outro médico e blocos de receitas.
Diogo foi autuado por exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, uso de documento particular falso, falsa identidade, tentativa de estelionato e perigo para a vida ou a saúde de outra pessoa. A Polícia Civil também informou que ele aparece como autor em outros quatro procedimentos relacionados a falsidade ideológica, furtos e peculato.
O que diz a Prefeitura de Arraial do Cabo
Em posicionamento anterior sobre a terceirização dos serviços de Apoio Escolar, a Prefeitura de Arraial do Cabo informou que a contratação da empresa responsável ocorreu dentro da legislação e seguindo os procedimentos exigidos.
Segundo o município, todo o processo foi publicado no Diário Oficial e está disponível no Portal da Transparência.
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A Prefeitura informou ainda que a contratação foi definida após estudos apontarem dificuldades para manter e repor profissionais na rede municipal, principalmente em razão da alta rotatividade dos trabalhadores.
As vagas contemplam as funções de Auxiliar de Educação Infantil, Cuidador Escolar e Mediador Escolar, sendo os dois últimos destinados ao atendimento de estudantes da Educação Especial Inclusiva.
O município afirmou que a medida também atende a orientações do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) para reduzir contratações temporárias na rede municipal.
A Secretaria de Educação também declarou que realizou reuniões com representantes do SEPE Lagos e da Comissão de Auxiliares de Classe para explicar a mudança e esclarecer dúvidas.
Posicionamentos
A reportagem procurou o Instituto Rede de Apoio Social para questionar o vínculo de Diogo com a instituição, quantos exames admissionais foram realizados pelo suspeito, como ocorreu a conferência de seus documentos profissionais e se os candidatos precisarão passar por novas avaliações.
A Prefeitura de Arraial do Cabo também foi procurada para informar se tinha conhecimento da atuação do homem, como fiscaliza os serviços prestados pelo instituto e quais providências serão adotadas diante das novas informações.
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Até a publicação desta reportagem, os posicionamentos sobre essas questões ainda eram aguardados.
O espaço permanece aberto para manifestação dos envolvidos.
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