O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Polícia Civil deflagraram nesta terça-feira (2) a Operação Mibius, contra uma milícia que atua em Queimados, na Baixada Fluminense. Até o fim da manhã, três pessoas haviam sido presas.
De acordo com o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), um dos investigados é o ex-servidor da prefeitura Paulo Alberto de Lima. Ele já atuou no Conselho Tutelar e, segundo a investigação, utilizava um carro oficial do órgão para transportar milicianos. Paulo Alberto foi preso nesta terça.
Outro detido é o policial civil Flavio Cordeiro Candreva, acusado de fornecer armas para o grupo criminoso. Um terceiro alvo já se encontrava encarcerado. Ao todo, foram expedidos cinco mandados de prisão.
A operação teve origem na análise de celulares apreendidos após uma prisão em flagrante em agosto de 2024, quando milicianos foram detidos com um carro roubado, armas de fogo e roupas semelhantes às utilizadas por policiais civis. As mensagens encontradas nos aparelhos permitiram identificar outros integrantes da organização.
Apontado como chefe do grupo, João Carlos Lustosa da Silva já está preso em Gericinó. De acordo com as investigações, ele continuava a dar ordens de dentro da prisão.
O Gaeco informou que a milícia explorava os bairros de Fanchem, Porteira e Paraíso, cobrando “taxas de segurança” de comerciantes e mototaxistas. Sob ameaça armada, os criminosos chegavam a recolher as chaves das motocicletas como forma de coação.
Para dar aparência de legalidade às cobranças, os milicianos usavam a fachada de uma empresa chamada “Mibius Segurança Privada”, distribuindo cartões com números de telefone e chaves Pix para o recolhimento das quantias.
Os cinco investigados foram denunciados pelos crimes de constituição de milícia privada e extorsão qualificada.
