O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos por volta das 11h40 deste sábado (29), após determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. A decisão também autorizou a soltura de outros quatro executivos da instituição financeira.
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A defesa de Vorcaro confirmou a libertação do banqueiro, registrada em imagens nas quais ele aparece usando boné e camiseta branca, acompanhado por seus advogados. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) também confirmou a saída dele e dos demais investigados.
Os cinco executivos deverão usar tornozeleira eletrônica e cumprir medidas cautelares enquanto continuam as investigações da Operação Compliance Zero.
Quem foi solto
Além de Vorcaro, foram liberados:
- Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Master
- Luiz Antônio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia
- Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria
- Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do banco
As defesas dos quatro ainda não se manifestaram.
Medidas impostas pela Justiça
A decisão determina que os investigados:
- usem tornozeleira eletrônica;
- compareçam periodicamente à Justiça;
- não mantenham contato entre si, nem com outros investigados, testemunhas, funcionários ou ex-funcionários do BRB e do Master;
- não saiam do município onde residem sem autorização;
- permaneçam sem acesso aos passaportes, entregues anteriormente à Justiça.
A desembargadora Solange Salgado da Silva afirmou que, apesar da gravidade dos fatos investigados, as medidas alternativas são suficientes para garantir o andamento do processo e prevenir riscos.
Recurso no STF
Na véspera da soltura, a defesa de Vorcaro acionou o Supremo Tribunal Federal, alegando que a Justiça Federal não seria competente para conduzir o caso. O pedido está sob relatoria do ministro Dias Toffoli, ainda sem data para julgamento.
O recurso argumenta que não há risco de interferência nas investigações, já que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, retirando de Vorcaro qualquer atuação sobre a instituição.
Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero, deflagrada há dez dias, apura fraude na emissão e venda de títulos ao Banco de Brasília (BRB). O juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal, autorizou a prisão de sete pessoas ligadas ao Master, incluindo Vorcaro.
A investigação aponta que o banco vendia títulos de crédito falsos e emitia CDBs com promessa de rendimento até 40% superior à taxa de mercado, retorno considerado irreal. Segundo a Polícia Federal, o esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. No mesmo dia da operação, o Banco Central decretou a liquidação da instituição e a indisponibilidade de bens dos controladores e ex-administradores.
