Criminosos que atuam no Rio de Janeiro passaram a utilizar uniformes e acessórios semelhantes aos das forças de segurança para realizar invasões a comunidades rivais e dificultar a identificação durante ações criminosas. A prática tem sido investigada pela Polícia Civil, que aponta o uso de roupas camufladas, coletes e identificações falsas por traficantes e milicianos.
Um dos casos mais recentes ocorreu na Ilha de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio. Imagens analisadas pela polícia mostram pelo menos 12 homens armados desembarcando de uma van usando roupas camufladas semelhantes às utilizadas por agentes em operações policiais. Segundo as investigações, o grupo se preparava para invadir uma área dominada por uma facção rival.
Em outro episódio, registrado em Campo Grande, também na Zona Oeste, quatro homens apontados como integrantes de uma milícia aparecem usando roupas da Polícia Civil durante uma ação contra traficantes do Comando Vermelho. Um deles vestia um colete com identificação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
A utilização de uniformes falsos por criminosos já foi registrada em outras ocasiões. Em setembro do ano passado, suspeitos ligados à milícia invadiram o Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, usando vestimentas semelhantes às da Draco. Já em junho deste ano, um homem foi levado para a delegacia em Angra dos Reis ao ser flagrado com um uniforme parecido com o do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), além de facas, réplicas de distintivos e documentos falsos.
Apesar de uma lei estadual exigir, desde 2021, que empresas responsáveis pela fabricação e comercialização de uniformes das forças de segurança sejam cadastradas e autorizadas pelas corporações, especialistas afirmam que ainda existem falhas na fiscalização.
Segundo o delegado Alexandre Neto, da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro, a facilidade para adquirir esse tipo de material favorece a atuação dos criminosos.
Ainda de acordo com a polícia, o uso de uniformes falsos serve para facilitar extorsões, ameaças, invasões e ataques contra grupos rivais, além de colocar em risco a atuação policial ao dificultar a identificação entre agentes e criminosos durante operações.
Criminosos usam fardas falsas da polícia para invadir territórios rivais e enganar moradores no Rio pic.twitter.com/ICZxkmoh3V
— CIC7 Notícias (@cic7noticiass) August 5, 2026
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