Após quase 14 horas de julgamento, Carlos José de França foi condenado a mais de 30 anos de prisão pelo assassinato da trapezista argentina Florencia Aranguren, de 31 anos. O julgamento foi realizado nesta quarta-feira (9), no Fórum de Búzios, e terminou já na madrugada desta quinta-feira (10), por volta da meia-noite.
O Tribunal do Júri acatou integralmente a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que imputou ao réu o crime de homicídio duplamente qualificado — por motivo torpe e uso de meio que dificultou a defesa da vítima.
Florencia havia chegado a Búzios três dias antes do crime. Na manhã do dia 26 de dezembro de 2023, ela fazia uma trilha com seu cachorro em direção à Praia de José Gonçalves quando foi atacada. Segundo a Polícia Civil, Carlos desferiu 18 facadas contra a vítima. Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que ela tentou se defender, mas foi surpreendida e morta com extrema violência.
A acusação foi conduzida com apoio do Grupo de Atuação Especializada em Júri (GAEJURI) do MPRJ, que atua em casos de grande relevância social. Imagens de câmeras de segurança mostram o acusado passando de bicicleta próximo ao local do crime momentos antes do ataque. Exames periciais identificaram DNA de Carlos sob as unhas da vítima, o que indicou luta corporal. Ele foi preso em flagrante no mesmo dia, com as roupas manchadas de sangue.
Durante a reconstituição do crime, o cachorro de Florencia reagiu de forma agressiva ao se aproximar do acusado, o que também foi interpretado como reforço à autoria do crime.
A brutalidade do caso gerou comoção em Búzios e repercussão na imprensa argentina. Moradores espalharam cartazes pela cidade pedindo justiça por Florencia, que era artista circense e havia viajado ao Brasil para descansar e se apresentar.
A sentença, proferida pelo juiz Danilo Marques Borges, determina que Carlos José de França cumpra pena em regime fechado, sem direito à progressão imediata. O réu foi reconduzido ao sistema prisional sob escolta policial, onde permanece à disposição da Justiça.
