Doze pessoas em situação de rua, que estavam na casa de passagem de Cabo Frio (RJ), foram levadas para Linhares, no Espírito Santo, após caírem em uma falsa promessa de emprego em uma lavoura de café. O grupo foi enviado pela Secretaria de Assistência Social de Cabo Frio, sob responsabilidade do secretário Flávio Moreira. Ao chegarem ao destino, descobriram que as supostas vagas de trabalho não existiam.
O desembarque ocorreu na última terça-feira (09), e as vítimas foram acolhidas imediatamente pelas equipes de abordagem social da prefeitura de Linhares. Seis pessoas foram encaminhadas à Casa de Acolhida São Francisco de Assis, enquanto as outras seis foram levadas ao Grupo Resgate, no distrito de Farias. Todos receberam alimentação, atendimento médico e puderam se higienizar.
Imagens do cerco eletrônico da cidade identificaram o micro-ônibus que fez o transporte e que deixou Linhares logo após o desembarque. A Prefeitura informou que o caso foi repassado à Polícia Civil, que está investigando os responsáveis.
A Secretaria de Assistência Social de Linhares também deu início a uma busca ativa para localizar os familiares dos acolhidos. Um dos integrantes, natural da Bahia, já teve contato restabelecido com sua família. Segundo a gestão municipal, todas as providências estão sendo tomadas para garantir o retorno seguro de cada um à sua cidade de origem.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito de Linhares, Lucas Scaramussa, repudiou o episódio: “Vamos colaborar com a Polícia para investigar o caso e tomar as medidas cabíveis contra os responsáveis”, declarou.
O portal CIC7 Notícias divulgou com exclusividade uma entrevista com o irmão de Ana Clara, uma das acolhidas. Segundo ele, Ana Clara é moradora do bairro Guarani, nascida e criada em Cabo Frio — contrariando a versão da Secretaria de Assistência Social da cidade, que teria informado que os envolvidos seriam “de fora”. Ainda segundo o irmão, os moradores estariam sendo ameaçados caso tentassem retornar para Cabo Frio.
Em contato telefônico com a equipe de reportagem do CIC7, Ana Clara confirmou que o grupo havia recebido a promessa de R$ 50 para alimentação, valor que nunca foi entregue. A jovem reforçou que tanto ela quanto os demais se sentiram enganados e desamparados durante todo o processo.
O caso segue gerando repercussão e levanta questionamentos sobre a conduta da gestão municipal de Cabo Frio no tratamento à população em situação de vulnerabilidade.
