Trump impõe tarifa de 50% ao Brasil mas poupa 700 produtos estratégicos

Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

Publicado há 11 meses ago

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Uma nova tarifa de importação imposta pelos Estados Unidos promete gerar impactos significativos sobre a balança comercial brasileira a partir de 6 de agosto. O presidente americano Donald Trump assinou, nesta quarta-feira (30), uma ordem executiva que eleva para 50% a alíquota sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. A medida inclui críticas diretas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e acusações ao Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.

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Apesar da nova taxa atingir a maior parte das exportações brasileiras, cerca de 700 exceções foram incluídas no decreto, protegendo setores considerados estratégicos para os dois países. Segmentos como o aeronáutico, o automotivo, parte do agronegócio, mineração, energia e tecnologia conseguiram escapar da taxação. Entre os itens preservados estão aviões, peças automotivas, combustíveis, fertilizantes, produtos de mineração como ferro e silício, além de smartphones e componentes eletrônicos.

Empresas como Embraer, montadoras com operações no Brasil, e fornecedores de energia e insumos agrícolas estão entre os principais beneficiados pelas exceções. O setor de aviação, por exemplo, teve garantida a isenção não só para aeronaves, mas também para motores, peças e até simuladores de voo. Já no agronegócio, produtos como suco de laranja, castanha-do-brasil, madeira tropical e fibras como o sisal foram poupados.

Entretanto, setores tradicionalmente fortes nas exportações brasileiras para os EUA foram diretamente atingidos. O café, por exemplo, movimentou quase US$ 2 bilhões em vendas para os americanos em 2024 — valor que deve encolher com a nova tarifa, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O impacto pode se refletir no preço final ao consumidor nos EUA.

A carne bovina também figura entre os mais prejudicados. Segundo dados da indústria, os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, que somaram US$ 1,6 bilhão apenas em 2024. A Minerva Foods estima que a medida possa provocar uma redução de até 5% na sua receita líquida. Empresas com presença produtiva em território americano, como JBS e Marfrig, devem enfrentar menor impacto imediato, mas o setor como um todo projeta retração nas vendas.

O mesmo cenário se repete para o setor de frutas, cujas exportações devem perder competitividade no mercado americano. Mangas, açaí processado, uvas e outras frutas brasileiras passam a ser taxadas em 50%, o que pode gerar queda nas vendas e aumento de estoques internos.

Outros segmentos atingidos incluem os setores têxtil, calçadista e moveleiro — com poucas ou nenhuma exceção na nova medida. Calçados e roupas, que já enfrentam forte concorrência internacional, devem perder ainda mais espaço nos EUA. Apenas itens muito específicos destinados à indústria aeronáutica escaparam da tarifa.

O decreto norte-americano não se limita a questões comerciais. Segundo o texto oficial, o governo americano considera que o Brasil representa atualmente uma ameaça à segurança nacional, à economia e à política externa dos Estados Unidos. A ordem cita diretamente ações do STF e do ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de abusos de poder, perseguição política e violação de liberdades civis — especialmente em relação a opositores do governo Lula e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os casos mencionados está o de Paulo Figueiredo, que reside nos EUA e estaria sendo alvo de processos criminais no Brasil por declarações feitas em solo americano. O documento também acusa o ministro de emitir ordens secretas para obrigar empresas dos EUA a entregar dados de usuários e alterar regras internas sob ameaça de sanções.

Como retaliação adicional, Trump já havia determinado, em 18 de julho, o cancelamento dos vistos de Moraes, de outros ministros do Supremo e de seus familiares.

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Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

Publicado há 11 meses ago

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