O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (3/8) que avalia usar parte dos recursos arrecadados com as novas tarifas sobre produtos estrangeiros para beneficiar financeiramente a população norte-americana de renda média e baixa. A proposta surge dias antes da entrada em vigor da nova fase do tarifaço, que impõe tributos mais altos sobre importações — com o Brasil como principal alvo.
“Pode haver uma distribuição ou um dividendo para o povo de nosso país. Eu diria que para as pessoas de renda média e baixa”, disse Trump a jornalistas, pouco antes de embarcar no Air Force One, em Nova Jersey.
A medida, segundo o governo, visa atenuar os impactos da inflação e garantir que os americanos não arquem sozinhos com os custos da guerra comercial iniciada com países que, segundo a Casa Branca, ameaçam a segurança dos EUA.
Brasil é o maior atingido
A nova rodada de tarifas entra em vigor a partir desta semana e estabelece alíquotas entre 10% e 41% sobre produtos importados de diversos países. O Brasil, porém, será o mais penalizado, com tarifa de 50% sobre itens exportados aos EUA, a partir de 6 de agosto.
Apesar de afetar outras nações — como Síria (41%), Laos e Mianmar (40%) —, nenhuma delas sofre um aumento tão expressivo quanto o Brasil. Na outra ponta da lista, países como o Reino Unido e as Ilhas Malvinas foram menos impactados, com taxação mínima de 10%.
Justificativa oficial
A Casa Branca afirma que a decisão de taxar produtos brasileiros com mais rigor se baseia em ações recentes do governo do Brasil, que representariam, segundo nota oficial, “uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.
A declaração, além de acirrar a tensão comercial entre os dois países, levanta preocupações no setor produtivo brasileiro, especialmente entre exportadores de pequeno e médio porte, que esperam agora linhas de crédito emergenciais e planos de contingência por parte do governo brasileiro.
