O empresário e agora deputado federal Ricardo Abrão (União Brasil-RJ) assumiu o mandato na Câmara dos Deputados após a cassação de Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), ocorrida na quinta-feira (24). Brazão perdeu o cargo por decisão da Mesa Diretora da Casa, e Abrão, como suplente, herdou a vaga.
Nas eleições de 2022, Ricardo Abrão obteve 43.219 votos, ficando como suplente. Já Brazão conquistou 77.367 votos, sendo o 24º mais votado no estado do Rio de Janeiro.
Não é a primeira vez que Abrão ocupa uma cadeira na Câmara. Ele já havia assumido temporariamente o cargo quando a deputada Daniela Carneiro se afastou para comandar o Ministério do Turismo, no início do atual governo federal.
Quem é Ricardo Abrão?
Ricardo Abrão é advogado e possui uma trajetória marcada pela atuação política e cultural no estado. Ele é filho de Farid Abrão David, que governou a cidade de Nilópolis por três mandatos e presidiu a escola de samba Beija-Flor. Farid faleceu em 2020, vítima da Covid-19.
Além disso, Ricardo é sobrinho de Anísio Abraão David, figura influente do jogo do bicho no Rio de Janeiro, que foi detido em operações da Polícia Federal como a Furacão 2 e Dedo de Deus.
Na política, Ricardo já foi deputado estadual no Rio por dois mandatos e presidiu a Beija-Flor entre 2017 e 2021. Recentemente, atuava como secretário de Ação Comunitária da Prefeitura do Rio, cargo que assumiu no lugar de Chiquinho Brazão, exonerado em janeiro.
Cassação de Brazão
A perda do mandato de Chiquinho Brazão foi aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara, após parecer da relatora Jack Rocha (PT-ES), que considerou as ações de Brazão como incompatíveis com o decoro parlamentar.
Embora a defesa ainda possa apresentar recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o processo já segue para deliberação no plenário da Câmara, onde será necessário o apoio de pelo menos 257 dos 513 deputados para efetivar a cassação.
Jack Rocha afirmou que há “provas contundentes” de envolvimento de Brazão em atos graves no exercício do mandato e endossou o entendimento da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontam o deputado e seu irmão, Domingos Brazão — conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio — como mandantes do assassinato de Marielle Franco e de tentativa de homicídio do motorista Anderson Gomes, em 2018.
Apesar das acusações, Chiquinho Brazão nega envolvimento no crime. Em sua defesa, afirmou ser inocente e destacou que tinha relação cordial com Marielle, com quem dividiu mandatos como vereador na Câmara Municipal do Rio.
Tanto Chiquinho quanto Domingos estão presos desde março e são réus no Supremo Tribunal Federal (STF) pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio.
