Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 80 anos, foi reeleito presidente da República neste domingo (25), após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições. Com mais de 98,2% das urnas apuradas, Lula recebeu 51,75% dos votos válidos, o equivalente a 64.060.863 votos, consolidando sua quarta passagem pelo comando do governo federal.
A campanha ganhou força na reta final do segundo turno, com uma estratégia voltada ao engajamento nas redes sociais e à realização de manifestações em diversas cidades brasileiras. Lula passou a publicar vídeos em formato selfie, adotando uma comunicação mais informal e direcionada aos eleitores.
Um dos destaques da campanha foi a atuação do deputado André Janones (Rede-MG), que criou o grupo “Exército de Lula” no WhatsApp. A iniciativa reuniu mais de 10 milhões de pessoas e contribuiu para ampliar a mobilização de apoiadores e a circulação de conteúdos favoráveis ao candidato nas redes sociais.
Além da atuação digital, movimentos sociais e estudantes organizaram manifestações em dezenas de cidades do país. Os atos de rua se tornaram parte importante da mobilização política durante o segundo turno.
Propostas para o novo mandato
Durante a campanha, Lula apresentou propostas de continuidade e ampliação de políticas públicas implementadas em seus governos anteriores e na gestão iniciada em 2023.
Entre os compromissos apresentados no plano de governo estão o aumento do salário mínimo acima da inflação, investimentos na defesa nacional e a criação de um Ministério da Segurança Pública. A proposta para a área de segurança prevê ampliar a participação do governo federal em políticas que atualmente são administradas principalmente pelos estados.
Na saúde, o programa de governo prevê a criação de “a maior rede pública de cuidado ao câncer do mundo”, com investimentos em diagnóstico, tratamento e equipamentos modernos, além da atualização e ampliação do acesso a medicamentos quimioterápicos e imunoterápicos.
Na educação, Lula prometeu desenvolver novas modalidades do programa Pé-de-Meia, incluindo uma versão voltada a estudantes universitários. Criado em 2024, o programa original oferece incentivos financeiros a alunos do ensino médio público para estimular a permanência e a conclusão dos estudos.
Na política externa, o presidente defendeu a manutenção de relações diplomáticas e comerciais com diferentes países, além do fortalecimento da indústria nacional e da busca por novos mercados para as exportações brasileiras. Durante a campanha, Lula também destacou a atuação do governo diante das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump.
Trajetória política de Lula
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco, Luiz Inácio Lula da Silva iniciou sua trajetória profissional como metalúrgico. Formado como torneiro mecânico pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), ganhou projeção nacional ao liderar o movimento sindical no ABC paulista durante a década de 1970.
Sua atuação nas grandes greves de trabalhadores e na defesa da redemocratização do Brasil contribuiu para a fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980. Anos depois, participou da campanha das Diretas Já e foi eleito deputado federal em 1986.
Lula disputou a Presidência da República em diferentes eleições até conquistar a primeira vitória em 2002. Governou o país entre 2003 e 2010, período em que consolidou sua posição como uma das principais lideranças políticas brasileiras, com destaque para políticas sociais e programas de combate à pobreza.
Em 2022, foi eleito novamente presidente, tornando-se o primeiro político brasileiro a conquistar três vitórias eleitorais para o cargo. A nova reeleição amplia esse histórico e garante a Lula um quarto mandato presidencial.
O retorno ao poder em 2023 ocorreu após a anulação das condenações relacionadas aos processos da Operação Lava Jato, que permitiu sua participação na disputa eleitoral de 2022. Antes de voltar à Presidência, Lula permaneceu preso por 580 dias.
Com a nova vitória, o petista inicia mais um capítulo de sua trajetória política. Durante a campanha, ele afirmou que este será seu último mandato à frente do governo federal.
