A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) está investigando o capitão de Mar e Guerra da reserva da Marinha, João Ricardo Reis Lessa, por suspeita de discriminação racial. O oficial é acusado de ter chamado seu subordinado, o cabo Pedro Jorge da Rocha, de “chimpanzé” durante um dia de trabalho na estatal Amazul, empresa de tecnologia nuclear da Marinha.
Segundo relatos, o incidente ocorreu há aproximadamente dois meses e causou sérios abalos psicológicos ao cabo Rocha, que é negro. O advogado Paulo Henrique Lima, membro da OAB-RJ que acompanha o caso, destacou a gravidade do ocorrido e a necessidade de responsabilização do oficial envolvido.
“A vítima foi insultada com termos racistas dentro de seu ambiente de trabalho, sofrendo consequências psicológicas significativas. Além de buscar justiça para o caso individual, é fundamental que medidas antirracistas sejam implementadas nas instituições militares para evitar que episódios como este se repitam”, afirmou o advogado em suas redes sociais.
Em resposta às denúncias, a Amazul afirmou que não tolera comportamentos discriminatórios e que o oficial em questão pediu demissão da empresa, não fazendo mais parte da equipe. A instituição também se comprometeu a colaborar integralmente com as investigações da Decradi e reforçou seu compromisso com um ambiente de trabalho seguro, respeitoso e inclusivo para todos os colaboradores.
A Marinha do Brasil, procurada para comentar o caso, ainda não se manifestou. A reportagem também não conseguiu contato com a defesa do oficial João Ricardo Reis Lessa até o momento da publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.
A Polícia Civil informou que diligências estão em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do incidente e garantir que a justiça seja feita no caso de discriminação racial envolvendo o oficial da Marinha.
