Alexandre de Moraes: julgamento de Bolsonaro seguirá “sem se adiantar ou atrasar”
Durante a abertura dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF) no segundo semestre, nesta sexta-feira (1º/8), o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro seguirá o curso normal, sem qualquer interferência externa, inclusive das sanções impostas a ele pelos Estados Unidos.
“O rito processual do STF não se adiantará, não se atrasará. O rito irá ignorar as sanções praticadas. Este relator vai ignorar as sanções que foram aplicadas e vai continuar os julgamentos. Sempre de forma colegiada”, declarou Moraes durante a sessão plenária.
Críticas a Eduardo Bolsonaro
Em sua fala, Moraes também criticou duramente a atuação de brasileiros que teriam buscado apoio internacional contra instituições nacionais. Ele classificou como “covarde e traiçoeira” a conduta do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que, segundo o ministro, teria contribuído para ações hostis dos Estados Unidos contra o Brasil, como a taxação de 50% sobre produtos nacionais.
“Estamos vendo diversas condutas dolosas e conscientes de uma organização criminosa que age de maneira covarde e traiçoeira, com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do STF ao crivo de autoridade estrangeira”, afirmou o ministro.
Sanções americanas e soberania brasileira
Moraes foi alvo, no início da semana, de sanções por parte do governo dos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky, que permite punições a indivíduos acusados de violações aos direitos humanos. Entre as penalidades estão bloqueio de bens e restrições financeiras.
A medida provocou forte reação do governo brasileiro e de membros do Judiciário, que consideraram as sanções uma afronta à soberania nacional.
O ministro reforçou que o STF não se deixará pressionar por interesses externos e que o julgamento de Jair Bolsonaro e dos demais investigados na tentativa de golpe de Estado seguirá normalmente, conforme os ritos legais e constitucionais brasileiros.
