O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB), fez duras críticas nesta quinta-feira (10/7) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e à decisão de Donald Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo Alckmin, a articulação do chamado “clã Bolsonaro” com os EUA configura um “atentado à economia”, além de já terem cometido um “atentado à democracia”.
“Antes era um atentado à democracia, agora é um atentado à economia, prejudicando as empresas e prejudicando os empregos”, declarou Alckmin à imprensa.
O vice-presidente ainda listou outros danos que, segundo ele, o governo Bolsonaro causou ao país:
- Na saúde, pela gestão da pandemia: “Mais de 700 mil mortos pela COVID, três vezes a média mundial pelo negacionismo e pela campanha contra a vacina.”
- Na infraestrutura, com o que classificou como uma “negação total” em um país continental como o Brasil.
- No meio ambiente, com recordes de desmatamento que comprometeram a imagem do agronegócio brasileiro no exterior.
Lula promete reação na OMC
A fala de Alckmin ocorre após o presidente Donald Trump justificar as tarifas como resposta à suposta perseguição judicial contra Jair Bolsonaro, atualmente réu no STF por tentativa de golpe. Na carta enviada ao presidente Lula, Trump disse que a forma como Bolsonaro está sendo tratado é uma “vergonha internacional” e que o julgamento é uma “caça às bruxas”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) considerou a medida “inadmissível” e afirmou que o Brasil recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC). Lula também destacou que o país poderá adotar medidas de reciprocidade econômica, conforme previsto na legislação brasileira.
“O Brasil não aceita pressão externa sobre assuntos internos e está preparado para defender seus interesses com firmeza e responsabilidade”, afirmou Lula.
O episódio amplia as tensões diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos, e reacende o debate sobre a atuação de parlamentares brasileiros no exterior, especialmente Eduardo Bolsonaro, acusado de articular as sanções com autoridades americanas.
