O ex-vereador de Armação dos Búzios, Lorram Gomes da Silveira, pode sofrer uma nova derrota judicial ainda em 2025. O processo no qual já foi condenado a 27 anos de prisão está em fase final, aguardando apenas a marcação da pauta para o julgamento da apelação. Com a conclusão dessa etapa, Lorram poderá começar a cumprir a pena imposta pela Justiça.
Lorram é acusado de chefiar uma organização criminosa especializada na venda e falsificação de alvarás no município da Região dos Lagos. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) o aponta como líder de um esquema que envolvia corrupção passiva, uso de documentos falsos e estelionato.
Em 2021, ele foi alvo de mais uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI). Na ocasião, o MPRJ também solicitou o bloqueio de cerca de R$ 9 milhões em bens do ex-parlamentar.
De acordo com as investigações, Lorram, que exerceu mandato como vereador entre 2009 e 2016, e também ocupou o cargo de chefe de gabinete do ex-prefeito André Granado entre 2018 e 2019, utilizava sua posição para acelerar a emissão de documentos públicos mediante pagamento de propina. Empresários da região chegavam a pagar cerca de R$ 5 mil, além das taxas oficiais, para obter alvarás de funcionamento fora da ordem cronológica.
Os promotores afirmam que uma “parcela substancial” dos valores arrecadados era direcionada a Lorram, enquanto os despachantes do esquema ficavam com uma fração menor, em nome dos supostos “serviços prestados”.
Lorram chegou a ser preso preventivamente em duas ocasiões: a primeira em outubro de 2019, durante a operação Plastografos I, e a segunda em 2021, após ficar dois dias foragido. Em ambas as situações, ele foi solto pouco tempo depois.
Em 2022, foi novamente investigado na operação Cryptolavagem, também conduzida pelo Gaeco. Na ação, foram apreendidos R$ 48 mil em dinheiro vivo na casa de Lorram, em Búzios. O MP afirmou que os recursos obtidos de forma ilícita com a venda de alvarás estariam sendo ocultados por meio de investimentos em criptoativos. Além de Lorram, a operação teve como alvos Carlos Alexandre da Silva e Glaidson, apontados como intermediários do esquema.
A Cryptolavagem foi considerada um desdobramento da Operação Plastografos – fase II –, e apontou Lorram como o líder de uma quadrilha especializada em fraudes documentais e lavagem de dinheiro com uso de moedas digitais.
Com o fim da tramitação da apelação e a confirmação da sentença, Lorram poderá finalmente começar a cumprir a pena de 27 anos de reclusão.
