A Câmara Municipal de Araruama está no centro de uma nova polêmica política que reacende o debate sobre a moralidade na gestão de cargos públicos. Documentos oficiais obtidos pela reportagem revelam que o Legislativo aprovou a Lei Complementar nº 02/2025, que cria cargos estratégicos na estrutura administrativa da Casa — um deles imediatamente ocupado por um herdeiro político local, o que levanta suspeitas sobre o real objetivo da medida.
Poucos dias após a promulgação da lei, foi nomeado para o cargo recém-criado de Assessor de Coordenação e Articulação Política o ex-candidato e filho de ex-vereador, Rodolfo Vargas Rodrigues de Oliveira Siqueira, mais conhecido como “Buda Filho”. O salário líquido do cargo é de R$ 5.197,94, conforme registrado na Portaria nº 218/2025, assinada pelo presidente da Câmara, vereador Magno Dheco.
A velocidade com que a criação do cargo foi seguida por sua ocupação — por um aliado do grupo político que domina o Legislativo — alimenta críticas de que a movimentação não visava ao interesse público, mas sim à acomodação de quadros políticos aliados, prática que, embora não necessariamente ilegal, fere os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa previstos na Constituição.
Cargos públicos como moeda política
Longe de ser um caso isolado, o episódio foi interpretado por moradores e lideranças locais como parte de uma estrutura de aparelhamento político, onde cargos na administração pública são utilizados para premiar lealdades partidárias e familiares, enfraquecendo a função fiscalizadora do Legislativo e promovendo a blindagem de interesses de um grupo hegemônico.
O nome de Buda Filho, figura próxima do ex-vereador Rodolfo Buda — que já exerceu mandato na cidade —, foi imediatamente associado à prática de continuidade política. A nomeação tem gerado indignação popular nas redes sociais, que veem na Câmara um instrumento de sustentação de poder em detrimento das funções institucionais da Casa: legislar, fiscalizar e representar os interesses da população.
A crítica, nesse caso, vai além do nepotismo tradicional: o que se denuncia é o uso da máquina pública para manter um grupo político no controle da cidade, por meio da criação de cargos comissionados sob medida, sem concurso público, com nomeações que não passam por qualquer critério técnico ou meritocrático.
Procurada, até o momento, a Câmara Municipal de Araruama não se pronunciou oficialmente sobre as críticas. O espaço permanece aberto para manifestação.
