A Casas Bahia protocolou, no fim da noite deste domingo (16), um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A empresa informou ter uma dívida de R$ 17,3 bilhões e enfrenta uma das maiores crises de sua história. O pedido ocorre após a divulgação de um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
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A recuperação judicial foi protocolada no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo e ainda depende de análise da Justiça. O processo também envolve outras nove empresas do grupo.
Entre os fatores apontados pela companhia para a deterioração da situação financeira estão as taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro.
A crise também provocou uma forte redução na estrutura da empresa. Somente em agosto, a Casas Bahia informou ter demitido cerca de 3 mil funcionários e fechado quase 300 lojas. Os cortes representam aproximadamente 10% do quadro de empregados registrado ao fim de junho, quando o grupo tinha 30.117 colaboradores.
O prejuízo de R$ 10,1 bilhões registrado entre abril e junho foi cerca de 18 vezes maior que o resultado negativo do mesmo período de 2025, quando a empresa havia registrado prejuízo de R$ 555 milhões.
Segundo a companhia, aproximadamente R$ 9,1 bilhões do prejuízo foram provocados por eventos não recorrentes, incluindo baixa de ativos, despesas de reestruturação, contratos não performados e efeitos relacionados ao Imposto de Renda diferido.
Apesar do resultado negativo, a receita líquida da empresa avançou 1,6% no segundo trimestre, chegando a R$ 6,97 bilhões. O Ebitda ajustado, porém, caiu 9,4%, para R$ 518 milhões.
O pedido de recuperação judicial tem como objetivo permitir que a companhia reorganize suas dívidas e tenha proteção contra cobranças de credores. Caso o processo seja deferido, os pagamentos e cobranças de determinados débitos ficam suspensos inicialmente por 180 dias, período que pode ser prorrogado por mais 180 dias.
A Casas Bahia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024, quando acumulava aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. A nova medida ocorre em meio a uma tentativa mais ampla de reduzir custos, melhorar a geração de caixa e reorganizar a operação.
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A companhia informou que pretende revisar estoques, volume de compras, contratos, despesas administrativas e investimentos, além de concentrar suas atividades em canais e categorias consideradas mais rentáveis.
O mercado reagiu negativamente ao anúncio. As ações da Casas Bahia chegaram a registrar queda próxima de 30% na manhã desta segunda-feira (17), sendo negociadas na faixa de R$ 0,47. Em 2020, os papéis chegaram a ser negociados próximos de R$ 400.
O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração no domingo. Durante a reunião, dois conselheiros, Jackson Medeiros de Farias Schneider e Rogério Paulo Calderón Peres, renunciaram. Também foi aceita a renúncia de Fabio Spina, diretor vice-presidente Jurídico e Tributário.
A auditoria EY também apontou, no parecer que acompanha as demonstrações financeiras, uma incerteza relevante relacionada à continuidade operacional da companhia.
Mesmo com o pedido de recuperação judicial, as lojas e demais operações da Casas Bahia continuam funcionando. A empresa agora busca aprovação da Justiça para iniciar formalmente o processo de reestruturação financeira.
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