A ex-prefeita de Magé, Núbia Cozzolino, foi condenada pela Justiça do Rio de Janeiro a penas que somam 87 anos, 1 mês e 10 dias de prisão por crimes relacionados à falsificação de documentos judiciais. As sentenças foram proferidas nesta terça-feira (4) pela Vara Criminal de Magé e ainda cabem recurso.
Segundo a Justiça, Núbia participou de um esquema de adulteração de documentos em ações civis públicas e de improbidade administrativa que envolviam ela e integrantes de sua família. As investigações apontaram que peças originais dos processos foram retiradas e substituídas por versões alteradas, com mudanças no conteúdo, nos pedidos e até nas assinaturas de promotores de Justiça.
Em uma das ações, a ex-prefeita foi condenada a 43 anos, 6 meses e 20 dias de prisão. Em outro processo, recebeu pena de 32 anos e 8 meses, também por falsificação de documentos públicos, uso de documento falso e supressão de documento público. Já em uma terceira condenação, foi sentenciada a 10 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão por adulterar uma ação civil pública de 2011.
As investigações começaram após a identificação de irregularidades em processos que tramitavam na Vara Cível de Magé. Durante a apuração, perícias confirmaram a falsificação de documentos e, em uma busca realizada em 2020, foram encontrados no escritório ligado à ex-prefeita papéis com treinos de assinaturas e rubricas, além de outros materiais considerados relevantes para a investigação.
A Justiça concluiu que Núbia foi a responsável pelas fraudes, apontando que ela tinha domínio sobre as ações e interesse direto nas alterações realizadas para obter benefícios nos processos judiciais.
Quatro outros acusados foram absolvidos por falta de provas.
Durante o processo, a defesa negou as acusações, alegou ausência de provas e contestou as perícias e a legalidade das buscas. Os argumentos foram rejeitados pela Justiça.
Nas redes sociais, Núbia Cozzolino afirmou considerar a condenação injusta, alegando que foi apontada como mandante sem que a sentença identificasse quem teria executado as falsificações. Ela também questionou a legalidade das diligências realizadas durante a investigação.
As condenações são de primeira instância e ainda podem ser modificadas por meio de recursos.
